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2018 e o risco do populismo

Dr. Yussif Ali Mere Jr
Presidente da Federação e do Sindicato dos Hospitais,
Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo
(FEHOESP e SINDHOSP) e do SINDRibeirão

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Poucos assuntos mexem tanto com a vida em sociedade como a política. Até mesmo a apatia é um sinal de que muita diferença ela faz na construção de um país, na coletividade e, consequentemente, no impacto cotidiano dos cidadãos.
O ser humano é um ser político e fala de política mesmo quando não percebe. Quando discute com o vizinho a demora na obra da esquina, quando reclama dos impostos, quando escolhe uma escola para o filho ou quando segue ou não as leis de trânsito. Não há como dissociar a vida em sociedade da política e de todas as regras e consequências que ela, em si, traz para cada um.
O que nos afasta da política e chega a causar ojeriza é a distância abissal entre os políticos e a realidade. No Brasil, especialmente, esta lacuna tem se mostrado crescente. Enquanto políticos tratam de seus interesses no Congresso Nacional, o país caminha aos trancos e barrancos, quase sem comando. A vida continua, as pessoas desacreditam um pouco mais a cada dia, e o risco de elegermos, em 2018, outro populista é gigantesco.
A abstenção dos votos, a apatia, o desinteresse e a crise de representatividade que vivemos em nossa democracia engrossam o caldo. Mais: o esquema político-ideológico do populismo possibilita a emanação de um líder que fala pelo povo e que é a voz dele. Obviamente, povo formado por homens simples, porque o populista fala o que lhe vem à cabeça e promete coisas que o povo quer ouvir – mas sem contar como, quando e por quê. Junte-se a esta receita o enorme poder da televisão, da imagem, do discurso e das redes sociais e está feito: o populista emocionado fala às massas, ganha o voto do povo apático e desacreditado, utilizando um discurso vazio, mas que toca o desejo íntimo do cidadão de ver resolvidos todos os seus problemas.
Neste sentido, é importante revisitar a história. O populismo gerou o nazismo e o fascismo, na Europa. Na América Latina, Venezuela e Bolívia são apenas dois exemplos de desastres populistas, cujos governos incitaram as massas e depois as enredaram em sua armadilha, transformando os cidadãos em vítimas. No Brasil, os 13 anos do populismo petista mostraram do que a esquerda é capaz quando o assunto é aparelhamento do Estado, corrupção, ineficiência e promessas vazias.
As armas contra a enganação são o conhecimento e o envolvimento político. Isso quer dizer que é preciso sair da bolha em que vivemos. Estudar, informar-se. Existem inúmeras escolas que oferecem cursos de formação em política, por exemplo. Ler sobre o assunto, interessar-se por história e geopolítica também é essencial. Habituar-se a ler jornais. Aproximar-se da câmara municipal local. Cobrar os políticos. Creio que esta seja a lição de casa para todos os brasileiros em 2018. Aos menos para aqueles que acreditam na democracia e na sua força de transformação.

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