Colunistas

A responsabilidade também é nossa

Dr. Yussif Ali Mere Jr
Presidente da Federação e do Sindicato
dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do
Estado de São Paulo (FEHOESP e SINDHOSP)
e do SINDRibeirão

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No fim de 2017, aposto que todo mundo fez pelo menos uma promessa de ano novo. Comer e beber menos, parar de fumar, ser mais paciente, juntar mais dinheiro, gastar menos. Sem dúvida, é um momento para refletirmos e para fazermos um balanço de nossas ações. É sempre importante vasculhar os sentidos, ser honesto consigo e encontrar onde está o ponto de melhoria.
Mas, como sabiamente escreveu Carlos Drummond de Andrade, um dos grandes poetas do século passado, não é preciso fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Tampouco é sábio acreditar que, “por decreto de esperança, a partir de janeiro, as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações”. Lindamente disse o poeta: “Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo”.
Coloco meus pés em 2018 com este espírito. E convoco todos a fazerem o mesmo. Será um ano de eleições, mais do que um ano de Copa do Mundo. E será um ano diferente se fizermos algo relevante. Pode ser um gesto simples e que dependa apenas de nossa vontade. Pode começar pela mudança de um hábito ruim, como parar de fumar ou iniciar a prática de exercícios físicos. Ou separando o lixo orgânico do reciclável. Dando aquela seta que não damos quando vamos mudar de faixa, ao dirigir. Dar passagem no trânsito. Ser mais cordial. Aprender mais sobre uma religião, uma cultura.
Uma dica: comece pensando que as coisas não são sempre culpa do outro. Elas podem ser sua culpa também. O cuidado com a saúde é um ótimo exemplo disso. Quando adoecemos, culpamos Deus, o destino ou a falta de sorte. Mas será que zelamos pela nossa saúde integral de uma maneira inteligente durante toda a vida? Será que também não somos responsáveis, em parte, pelo nosso próprio adoecimento, seja ele físico, mental ou espiritual?
Somos responsáveis pelos nossos atos. Pelo nosso voto. Pelas nossas escolhas. Pelas decisões que tomamos. Pela nossa saúde. Somos seres vivos em constante movimento e mudança. Compreendendo este contexto, chegamos a um conceito que quero explorar bastante ao longo do ano e que vai nos ajudar a tomar resoluções mais efetivas para a mudança: trata-se da Saúde Viva. Por enquanto, basta dizer que ele traduz a responsabilidade, enquanto seres inteligentes que somos, por tudo que nos rodeia e nos faz feliz. Ou tristes.
Lembre-se de Drummond: “É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.”

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