Colunistas

Acne, um problema comum de pele

Dra. Heloisa da Rocha Picado Copesco
Médica. Especializanda em Dermatologia
no Hospital das Clínicas da Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto da
Universidade de São Paulo –
HC – FMRP – USP.
[email protected]

Acne é o nome dado a espinhas e cravos que surgem devido a um processo inflamatório das glândulas sebáceas e dos folículos pilossebáceos.
Este é um problema de pele muito comum! Mais frequente na adolescência, a acne também ocorre na idade adulta, principalmente em mulheres. Além do incômodo doloroso em alguns casos, há o componente estético das lesões, que gera habitualmente muitas repercussões psicológicas.
Antigamente, acreditava-se que a acne era uma doença infecciosa (pela bactéria P. acnes) gerando inflamação. Hoje, é sabido que a inflamação é o estimulo inicial desta afecção e que, a partir dela, forma-se um meio ambiente favorável para a infecção, com perpetuação e acentuação do quadro.
Hormônios sexuais provocam alterações das características da pele de pessoas predispostas (existe forte componente genético) durante a puberdade, e com isto, propiciam a ocorrência da acne.
Dermatologicamente, as lesões são descritas como comedões (cravos), pápulas, pústulas, e eventualmente nódulos, com mais frequência na face, mas também nas costas, ombros, couro cabeludo e peito. Quando se expandem por camadas mais profundas da pele, podem levar à destruição de tecidos, causando cicatrizes.
Acne não é uma doença contagiosa e classifica-se conforme a gravidade, sendo que aquelas que apresentam nódulos são consideradas mais graves.
Outras causas associadas são situações de estresse ou no período menstrual. Certos medicamentos como corticoides, vitaminas do complexo B, além de contato com óleos, graxas ou produtos gordurosos e, principalmente, o hábito de mexer nas lesões (“espremer cravos e espinhas”) pioram o quadro.
Então, grave essa dica importante: quem tem acne não deve manipular (“cutucar, espremer”) as lesões, pois isso pode levar à infecção, inflamação e cicatrizes.
O ideal é a acne ser tratada o mais precocemente possível. Está ultrapassada a ideia de que não se deve tratá-la por ser considerada “própria da idade”, “de desaparecimento espontâneo com o tempo” ou “de não ser doença”.
Seu controle é recomendável não só por razões estéticas, como também para preservar a saúde da pele e a saúde psíquica, além de prevenir cicatrizes (marcas da acne) tão difíceis de corrigir na idade adulta. E a melhor forma de evitá-las é começar o tratamento adequado o mais cedo possível. Ou seja, a acne tem tratamento e pode ser curada ou controlada, porém, isso pode levar bastante tempo.
O tratamento vai variar de acordo com a gravidade e a localização, e em função de características individuais. Em formas leves, o tratamento pode ser apenas local, com inúmeros produtos existentes no mercado, isolados ou combinados: ácido salicílico, peróxido de benzoíla, retinoides (tretinoína, adapaleno), antibióticos (clindamicina e eritromicina, de preferência associados – no mesmo produto – aos retinoides ou peróxido de benzoíla) e ácido azeláico. Quando o quadro é mais aflorado ou ainda, deixa cicatriz, o tratamento por via oral é iniciado, utilizando-se isotretinoina (contraindicada na possibilidade ou vigência de gestação) ou antibióticos específicos.
Procedimentos complementares que ajudam no controle da acne são: extração de “cravos”, drenagem de abscessos, infiltração com corticoides em lesões nodulares muito inflamadas ou em cicatrizes elevadas, peelings químicos, microdermabrasão, alguns tipos de laser, luzes e esfoliações químicas.
A prevenção começa com higiene adequada da pele com um sabonete ou produto de limpeza indicado especialmente para pela acneica ou oleosa. A limpeza excessiva é prejudicial à pele como um todo (causando irritação) e pode piorar as lesões. Também se deve evitar cosméticos que aumentem a oleosidade.
Acne não se relaciona diretamente com alimentação, logo, não é necessária dieta ou restrição alimentar para seu tratamento ou prevenção. Vale a pena lembrar que a pele pode melhorar após a exposição ao sol, porém, essa melhora é apenas temporária e a exposição exagerada acarreta piora do quadro. Perceba que a acne é uma afecção com múltiplas possibilidades de tratamento e necessita de várias orientações ao paciente. Se você tem acne, visite seu dermatologista e veja qual a programação terapêutica adequada para seu caso.

Fonte – www.sbd.org.br

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