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“Bem Primordial: Água”

 

LIGIA MARIA MUSSOLINO CAMARGO

Sócia da empresa Décio Camargo Ltda, professora de Língua Portuguesa. Ocupa a cadeira nº 24 da Academia Santarritense de Letras. “Bem Primordial: Água”
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“De que adianta irmos ao espaço, Se somos incapazes de preservar Nosso bem primordial.” (Flávio Tavares, jornalista, escritor e professor da Universidade Brasília.)

Voltando no tempo paramos no dia 12 de abril de 1961, quando o russo Yuri Gagarin realizou o sonho do ser humano desde remotas eras: viajar pela imensidão do cosmo; mais tarde em 20 de julho de 1969, o americano Neil Armstrong chega à Lua, sendo o primeiro homem a pisar na Lua, comandando a missão Apollo 11. A sonda americana hoje dá voltas em Marte. São prodígios realizados pelo ser humano com esforço, interesse, boa vontade e inteligência; infelizmente esquecemos de cuidar de um bem maior; a água e o que sua falta representaria para a humanidade. No dia 12 de abril deste ano, coincidentemente, aconteceu na Cidade do Cabo, na África do Sul um fato que comoveu o mundo, dos ditos civilizados. Nesse dia a cidade ficou totalmente sem água. Isso representou um esforço profundo: um dia todo sem água. Eles quiseram mostrar ao mundo a necessidade de preservar a natureza, especialmente a água. Ela não pode ser desperdiçada, impunemente, é um recurso que tem de ser preservado. Numa época em que se começa a dar importância à preservação da Natureza e à própria vida no planeta Terra, a ação na Cidade do Cabo é um aviso, um alerta. Há falta de água em grande parte do planeta como na África, no nordeste brasileiro e em muitas outras regiões do mundo. E como sempre quem mais sofre são os países mais pobres e desorganizados. “Nos últimos 90 anos poluímos muito mais a terra, o mar, a atmosfera
que a soma de todos os séculos passados”. Precisamos educar e reeducar a população nesse sentido, nada é eterno. A transposição do rio São Francisco é exemplo de um projeto faraônico, onde foram gastos bilhões de reais e nem se sabe se o projeto é viável. É uma agressão imensa à Natureza, e certamente isso causará problemas ecológicos, sociais e econômicos. “O consumo de água no mundo deverá ser multiplicado por sete até 2030”. São índices assustadores, que deveriam nos levar à busca de soluções. Realizou-se em Brasília de 17 a 23 de março deste ano o “8⁰Fórum Mundial de Água”, organizado pelo Conselho Mundial de Água, o evento contou com a participação de 70 países, naturalmente o assunto é nosso bem primordial: a água. Quem sabe encontraremos soluções para o problema da falta d’água no planeta. Não podemos mais nos dar ao luxo de ignorar questões do meio ambiente. Talvez seja pertinente a parábola do “Menino e os peixinhos”: Estava um menino brincando na praia e toda vez que as ondas jogavam na areia muitos e muitos peixinhos, ele orria e devolvia alguns ao mar. Um senhor que observava o que ele fazia, disse-lhe “por que fazer esse esforço todo é inútil você não conseguirá salvar todos, a maior parte dos peixinhos morrerão na praia.” O garoto olhou para o peixinho em sua mão e para o homem, e disse: -“Mas, este na minha mão está salvo”. Se nossas ações para preservar a biodiversidade fossem conjuntas, conseguiríamos resultados bem mais favoráveis e rápidos. “Águas de Março” canção de Tom Jobim, que fala sobre a beleza da natureza diz assim, no final: “São as águas de março fechando o verão e a promessa de vida em meu coração”. Água representa a promessa de vida, a esperança e continuidade da Vida, no Planeta Terra.

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