Colunistas

Como num Conto de Fadas

 

LIGIA MARIA MUSSOLINO CAMARGO

[email protected]

A atenção do mundo, neste mês de maio de 2018, voltou-se para a Inglaterra, para a cerimônia do enlace do príncipe Harry com a plebeia, americana, “birracial” Meghan Markle, a qual aconteceu na capela “São Jorge”, no Castelo de Windsor. A maior parte de nós mortais sentimos este casamento como a concretização de um “Conto de Fadas”, mas na realidade é uma tentativa de mostrar que a Monarquia Inglesa está nos seus melhores dias e o jovem casal aí está para representá-la com pompa e tradição.
Agora no final de maio, um acontecimento também imobilizou o Brasil, atraindo a atenção nacional e internacional: a greve dos caminhoneiros. Greve muito séria, no sentido econômico e social, mostrando mais de uma vez a fragilidade de nosso país, que não encontra soluções para seus problemas mais prementes
Isso nada tem a ver com as lindas bodas da família real britânica, são assuntos diferentes, mas que atraem nossa atenção. Afinal um pouco de futilidade faz parte de nossas vidas.
Ao falar de “Conto de Fadas” voltei à minha infância, quando com seis ou sete anos, ouvia minha irmã contar-me os mais lindos “Contos de Fadas” e ela possuía o dom de contar estórias. Parecia que eu era uma personagem daqueles contos, e torcia para que para que a plebeia se casasse com um príncipe lindo, como o Willian ou o Harry.
E mais lindo de tudo era o final: E foram felizes para sempre. Eu pensava o que queria dizer para sempre? Até que a morte os separe, até que uma bruxa má transforme o príncipe em um sapo, até que surja uma mulher mais sexy.
O casal de noivos Harry e Meghan seguiram todas as tradições da Realeza, isso em pleno século XXI. Beijam-se após o casamento e entram numa carruagem do século XIX e saúdam os ingleses. Assim, a tradição está mantida à risca, graças a rainha Elisabeth, que em sua inteligência e perspicácia, capacidade de adaptações consegue manter a Monarquia Inglesa, mesmo que seja uma monarquia sem poder na realidade, mas que goza de todas as benesses e que o povo ama e respeita.
Lembrei-me também dos maravilhosos e suntuosos casamentos da família real britânica: Charles e Diana (1981), William e Kate (2011) e agora Harry e Meghan.
“E foram felizes para sempre.” Será? Existe um conhecido poema de Vinícius de Morais o “Soneto da Fidelidade” que define o amor assim:

“Um amor
Que não seja imortal,
Posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”

Acho que assim deve ser entendido o amor: porque amor para sempre, nem mais nos contos de fadas.

Mostre mais

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close