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IRINEU GRINBERG

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Por algumas décadas tenho acompanhado e tentado sempre ser protagonista ou observador atento das ações e atitudes da cadeia laboratorial. Comecei meu trabalho muito jovem acompanhando de muito perto toda a evolução do Laboratório Clínico, do foto-colorímetro às esteiras robotizadas, passando nessa viagem pelo espectrofotômetro, automações e interfaciamentos.
Do microscópio monocular até microscopia à distância, com saborosas escalas na microscopia de fluorescência. Dos fichários dos clientes, manuais ou datilografados, até os imensos arquivos guardados na nuvem.
Como profissional de Laboratório, dirigente de entidades e agora consultor, tenho a satisfação de observar este ambiente e verificar a evolução do setor laboratorial, a preocupação com a atualização dos equipamentos, a busca incessante pela qualidade, maciça participação em ensaios de proficiência, acreditação, criação de grupos de discussões de temas pertinentes e participação em eventos isolados e congressos.
São ações distribuídas por toda a cadeia, desde aquele pequeno laboratório de poucos milhares de exames mensais até àqueles cuja produção é expressa em milhões.
É de se entusiasmar a observação da quantidade de pequenos e médios laboratórios na busca do crescimento, tanto de forma qualitativa, quanto quantitativa.
Esse incremento à qualidade, aos processos de gestão, associados ao surgimento de novos procedimentos e a todos os benefícios por eles introduzidos ao setor saúde transformaram os exames laboratoriais como os responsáveis por 70% dos diagnósticos clínicos e 90% dos critérios de cura de doenças e altas hospitalares.
Por outro lado, também é impressionante a verificação de um número imenso de startups mergulhadas em pesquisas voltadas ao setor de diagnóstico, produzindo tecnologias que com certeza irão revolucionar o setor.
Países como China, Japão, Estados Unidos, Israel, Finlândia e até o Brasil estão imersos em importantes pesquisas voltadas ao diagnóstico rápido de precisão e exatidão.
Testes genéticos de predisposição a enfermidades bem como intolerâncias alimentares com a mais alta eficiência já são disponíveis.
Aplicativos (reSET – Pear Therapeutics) monitoram pacientes com transtorno da utilização do álcool, cocaína, cannabis, benzodiazepínicos e outros, medindo a abstinência e/ou regulando a prescrição de medicamentos.
Microchips instalados de forma subdérmica em pacientes diabéticos, esportistas de alto rendimento ou atletas profissionais para, com o uso de um aplicativo em smartphone , realizar a monitorização de glicemia, CPK e outros analitos.
Já está quase pronto o projeto do vaso sanitário inteligente ao qual poderá ser colocado um chip com os dados do paciente que, desta forma terá monitorado o volume urinário, bem como alguns constituintes urinários como proteínas, glicose, creatinina, etc. Esse vaso, se colocado numa enfermaria hospitalar, poderá monitorar todos os pacientes, pois comportará tantos chips quantos necessários.
Importante ainda uma referência aos testes rápidos imunocromatograficos ou similares, que vieram para ficar e tem sua utilidade comprovada, são essenciais em alguns setores, entretanto ainda carentes de regramentos por parte da ANVISA.
Da mesma forma, são aguardadas regulações em relação ao Controle de Qualidade interno e externo desses testes.
Referências também devem se feitas aos testes realizados em domicílio (autotestes). Até o presente estão oficialmente liberados somente para HIV, gestação e glicemia. Nos Estados Unidos esses procedimentos são disponíveis em grande quantidade e diversidade. Existem até estabelecimentos farmacêuticos especializados na venda dos mesmos e que mantém em seus quadros profissionais aptos a instruir o cliente na compra, no uso e interpretação dos mesmos. Nesse rol até testes de paternidade são oferecidos aos clientes.
Essas citações constituem apenas um lembrete de como poderá mudar o nosso setor, seguindo uma tendência mundial. O alerta principal seria no sentido de exercer uma vigilância permanente em relação ao surgimento de novos rumos que poderiam modificar radicalmente o setor.
Não existe nenhuma possibilidade de que o laboratório tradicional e convencional deixe de existir. Entretanto uma sequência de fatores irão determinar novos direcionamentos, que poderão exigir adaptações a uma nova realidade.
Mais uma vez será necessário frisar a união daqueles laboratórios pequenos e médios, realmente compromissados com os conceitos de qualidade e gestão, para que comunguem seus propósitos e saibam aproveitar novas oportunidades.
Cada vez mais é importante reforçar e insistir que a troca de concorrência por parceria é que vai garantir a sobrevivência e o crescimento.

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