Colunistas

Os Laboratórios e a Nike

 

LUIZ ROBERTO DEL PORTO

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O gestor de um Laboratório Clínico, seja ele o proprietário da empresa, seja ele um profissional contratado para assumir tal função, vive hoje um dilema sem precedentes na história dos serviços médicos brasileiros. Como aliar qualidade nos resultados dos exames, com os montantes aos quais o mercado está disposto a pagar? Tal gestor sofre com pressões externas em todos os sentidos, seja para baratear seus preços, seja para assumir a inflação anual (ou mensal) nos seus custos diretos e indiretos. Várias alternativas podem ser encontradas, bastando que o empresário/gestor queira enxergar.
Um exemplo disto são as empresas de materiais esportivos. Peguemos, por exemplo, a multimilionária Nike. Segundo a Wikipédia, a Nike foi fundada em 1964 por Bill Bowerman e Phillip Knight (atual presidente da empresa). A sua sede fica em Beaverton, no estado de Oregon, nos Estados Unidos. É a marca de roupas mais valiosa do mundo, segundo o ranking BrandZ da consultoria Millward Brown, avaliada em 37,5 bilhões de dólares. Certamente o leitor deste artigo já entrou em alguma loja da Nike, seja no Brasil ou em algum outro lugar do mundo. Aqueles que já tiveram a oportunidade de entrar em uma das Nike Factory Store em algum Outlet americano entenderão a quantidade de materiais esportivos vendidos por minuto naqueles estabelecimentos. Mas a pergunta que sempre se faz é: você já foi, ou ao menos passou perto de alguma fábrica da Nike? Alguém conseguiria indicar onde ficam as fábricas dos tênis Nike no Brasil ou nos Estados Unidos? A resposta é simples: elas não existem, uma vez que os materiais esportivos são fabricados em países como China e Indonésia.
Mas qual a relação entre a Nike e os Laboratórios Clínicos? Imagine a possibilidade das empresas com atendimento ambulatoriais acabar com suas áreas técnicas e terceirizar 100% da sua produção. Todos os custos diretos e indiretos com a realização dos exames, hoje estimado em perto de 40% do custo total do laboratório, diminuiriam sobremaneira na formação dos custos da empresa. O laboratório passaria a terceirizar sua produção, tornando-se apenas postos de coleta e vendendo exames. Da mesma maneira que a Nike faz hoje em dia com seus produtos.
Os laboratórios poderiam se unir em torno de uma associação regional e esta entidade criaria o parque tecnológico para realizar os exames encaminhados. Uma empresa especializada em logística de amostras biológicas poderia fazer a retirada das amostras diariamente nas unidades associadas e os resultados retornariam ao laboratório através de sistemas de interfaceamento. Imagine se 50 laboratórios se unirem regionalmente, deixando de lado os egos dos seus donos, e criando um único setor técnico, com alta capacidade de automação e baixo número de mão de obra. Estas 50 empresas poderiam, também, criar centrais de compras de insumos, obtendo uma capacidade de negociação muito superior ao laboratório individualmente.
Outra opção seria a negociação com algum laboratório de apoio para que este assumisse toda a produção dos exames, em troca de uma substancial redução nos custos individuais por ensaio. Esta é uma opção mais fácil, uma vez que não há a necessidade de criação de centrais técnicas para o processamento das amostras, o laboratório já contar com o serviço de logística embutido nos custos dos testes e também possuir suportes para as áreas técnicas, tecnologia da informação, marketing, dentre outras. Nestas negociações, poder-se-iam ser negociados em conjunto os materiais de coleta, por exemplo. Outra vantagem para este modelo, é que há a impessoalidade do laboratório de apoio, que não mexeria com os egos dos donos de laboratório. O único senão que se pode fazer neste modelo, é quando o laboratório de apoio já atende pacientes nas suas vizinhanças, sendo ele mais um concorrente seu.
Enfim, as opções são muitas, para se encontrar uma maneira de se subsistir neste mercado que nos absorve cada vez mais. Na próxima vez que você passar em frente a uma loja da Nike, pense na saída que esta bilionária empresa encontrou para se manter no mercado, e quantas outras sucumbiram por não buscar alternativas de subsistência.

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