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Novos horizontes

 

LUIZ ROBERTO DEL PORTO

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Não resta dúvida alguma de que o mercado de medicina diagnóstica entrou em um processo de mutação sem precedentes na história recente da medicina brasileira. Os serviços de saúde públicos estão saturados e, salvo em alguns parcos locais, primam pela inoperância e incompetência. Já, os serviços de saúde suplementar parecem que esgotaram seu atual modelo e buscam alternativas para sua sustentação, como por exemplo, a coparticipação. Engana-se quem acredita que os serviços auxiliares de diagnóstico e terapia irão se beneficiar com a coparticipação. Tal modelo terá serventia para: A. Diminuir o número de exames solicitados e B. Repassar os valores aferidos às próprias operadoras.
O SUS poderia ser uma boa alternativa, porém, os municípios gestores da saúde local são impedidos pela lei federal 8.666/93, que impede que uma prefeitura contrate vários serviços locais, promovendo a livre concorrência entre os mesmos. Uma alternativa para driblar tal lei seria lotear os serviços em várias zonas (ou regionais) dentro do município, licitando cada grupo individualmente, mas não parece o que vem sendo feito pelas administrações vigentes.
Com a grave crise que assola o país nos últimos quatro anos, e que não mostra sinais de arrefecimento, surgiu uma massa de seres humanos que foram excluídos dos planos de saúde, seja devido ao desemprego, seja devida à queda na renda per capta dos lares brasileiros. Esta população estimada em milhões de cidadãos, não conseguem ter uma atenção à sua saúde básica eficiente, devido à falência do SUS e tampouco é capaz de pagar pelos serviços médicos particulares. Para este público, pagar R$ 300,00 ou R$ 400,00 por uma consulta médica e R$ 50,00 por um hemograma é algo inacessível. Mas ele ainda tem condições de pagar R$ 60,00 por uma consulta e R$ 10,00 por um hemograma.
E é este novo público que hoje se abre aos laboratórios, através das clínicas populares. Um mercado que vem crescendo sobremaneira e, cada vez mais, se fixando no mercado de saúde nacional. Basta ver a quantidade de franquias destas clínicas anunciadas no Facebook e Instagram. É sabido que tais modelos trabalham com baixa remuneração, porém, tem sua contrapartida, uma vez que os custos de faturamento são praticamente inexistentes e glosas, quiméricas. Além disso, os custos de mão-de-obra de coleta podem ser divididos com a clínica, bem como a impressão dos resultados dos exames.
Pode parecer um contrassenso tal proposta, porém, há que se lembrar que os laboratórios clínicos hoje em dia ganham apenas quando conseguem ter escala, uma vez que reajustes nos valores dos exames é algo impensável. Destarte, da próxima vez em que você passar em frente a uma clínica popular, veja-a com outros olhos.

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