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Sobre Melanoma

 

DRA. HELOISA DA ROCHA PICADO COPESCO

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Maio deste ano já passou, mas outros maios virão e falar de melanoma sempre me parece uma boa pedida, já que este é o câncer de pele com o pior prognóstico e mais alto índice de mortalidade, ou seja, o que mais mata. Sabemos que não se trata do câncer de pele mais comum, porém o INCA – instituto nacional do câncer – estima que somente neste ano de 2018, serão diagnosticados cerca de 3 mil casos novos de melanomas em homens e ainda pouco mais deste valor em mulheres no Brasil!
As chances de cura são estimadas em mais de 90% quando o melanoma é precocemente diagnosticado, e daí a extrema importância em realizar “check-up” dermatológico, para avaliação de toda sua pele e, principalmente, avaliação de pintas suspeitas, isto é, aquelas que mudam de cor, de formato, crescem, ou apresentam mais de um tom como por exemplo, castanho e negro na mesma lesão. Mas, você sabia que nem sempre o melanoma apresenta-se desta forma? Este câncer pode ser sem pigmentos escuros e apresentar cor da pele ou avermelhado, o que enfatiza a necessidade de avaliação clínica de especialista capacitado! Soma-se a isto, o fato de que muitas vezes, estas lesões surgem em áreas que não conseguimos enxergar, e que somente são notadas pelo médico ao examinar toda a pele e mucosa do paciente, vendo tanto as “pintas” antigas como também (e principalmente) “pintas” novas. Em mulheres, melanomas são mais comuns nas pernas e já em homens, mais comuns no tronco. Ocorre mais em áreas expostas ao sol e portanto, ambos os sexos apresentam com grande frequência lesões em face e pescoço.
O componente genético é identificado como peça chave para o desenvolvimento do melanoma e estudos atuais visam o tratamento deste por meio de intervenção genética. De forma simplificada, isto quer dizer que, atualmente, existem testes que são capazes de determinar mutações (“erros”) nos genes que levam ao desenvolvimento do melanoma avançado, que são feitos por meio de intervenção em genes como BRAF, cKIT, NRAS, CDKN2A e CDK4. Com isso, há possibilidade de escolha de terapêuticas mais adequadas para casos específicos (medicações que buscam “bloquear” o gene específico responsável pelo melanoma). Infelizmente, é ainda raro que o melanoma seja curado mas os esforços atuais da medicina permitem melhoria da qualidade de vida após instituído o diagnóstico.
Apesar do componente genético ser o principal fator de risco para o desenvolvimento do melanoma, a exposição solar também tem papel de contribuição para o desencadeamento deste câncer, e muito mais relevante, o sol como causa de câncer de pele não melanoma, a exemplo do carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular. Pessoas de pele clara, e que se queimam com facilidade, são grupos de risco, porém não se engane: melanoma ocorre em todos os tipos de pele, incluindo negros.
Lembre-se: uma lesão considerada normal por um leigo, pode ser suspeita para o médico especialista. Melanoma é um tumor agressivo, com alto potencial de metástase (atingir outros órgãos além de pele). Não coloque sua vida em risco. Procure seu dermatologista.

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