Avançar sem dialogar é impossível


Não há relacionamento sem diálogo. Em nenhum aspecto. Quando pensamos de forma institucional, o diálogo também se faz relevante, principalmente diante de cenários de ampla complexidade como o setor da saúde. E não basta investir no poder da comunicação somente quando crises despontam. Comunicar-se deve ser um exercício diário e sistemático. 

Uma das atividades associativas está justamente focada na promoção do diálogo entre todos os atores que compõem a cadeia da saúde. Na medicina diagnóstica – representada nacionalmente pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), que presido desde 2019, não há como trabalhar pela melhoria do setor sem envolver empresas públicas e privadas, poderes Executivo e Legislativo, órgãos reguladores, população, profissionais da saúde e todos os outros membros que, juntos, constroem um dos sistemas mais necessários ao país.

Recentemente realizamos a quinta edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), um evento promovido pela Abramed e que consegue reunir todos os principais elementos estratégicos do segmento. Durante esse encontro tivemos a oportunidade de debater diretamente com executivos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) algumas das pautas mais relevantes da nossa atualidade.

Foi satisfatório poder estar em um debate transparente e aberto para compreender como muitos dos nossos pleitos estão sendo tratados por essas entidades. E perceber que essas instituições estão dispostas a nos ouvir, entender nossas necessidades e permitir que possamos auxiliar na construção de regulamentações que coloquem, sempre, a qualidade dos serviços e a segurança do paciente em primeiro lugar.

Entre os temas que pudemos debater e que impactam o dia a dia das empresas brasileiras de medicina diagnóstica estava, por exemplo, a revisão da RDC 302, cujo texto inicial desagradou ao setor, provocando ampla reação, mas que está sendo tratada com atenção redobrada pelas equipes técnicas da Anvisa. Como consequência, também discutimos se autorizar a realização de exames fora dos ambientes altamente controlados dos laboratórios clínicos representa oferta de acesso ou de risco aos pacientes.

Além disso, pudemos questionar como a agência vem trabalhando na revisão da RDC 25, sobre o recondicionamento, transferência e doação de produtos para a saúde usados, pois sabemos que nossas clínicas e laboratórios muitas vezes investem na substituição e atualização de seu parque tecnológico e têm interesse em doar equipamentos de altíssima qualidade, mas que não mais serão utilizados, para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para Santas Casas de Misericórdia, mas acabam bloqueadas pela regulação, que proíbe esse tipo de operação. Equipamentos de alto custo, parados, sendo que poderiam contribuir para ampliar o acesso da população brasileira a exames de qualidade.

Por fim, nos sentimos satisfeitos ao perceber que temos construído, ao longo da última década, uma relação ética de confiança e transparência com as agências responsáveis pela regulamentação do nosso setor, aí incluída também a ANS. Reconhecemos a importância do rigor da atuação dessas entidades, que prezam pela qualidade do nosso segmento, e estamos sempre dispostos a contribuir compartilhando nosso conhecimento e nossa expertise.

Do outro lado, nos traz tranquilidade ter acesso à alta diretoria das agências reguladoras. Isso tem nos permitido encaminhar pleitos de interesse do setor e discutir os impactos que as normas podem desencadear.

Todas essas conquistas só foram obtidas por meio de um trabalho dedicado, iniciado por profissionais do nosso setor que nos antecederam. Cabe a nós, com responsabilidade, vencer o desafio de manter essa chama acesa.

 

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