Coronavírus expõe a importância de uma saúde integrada e vigilante


A humanidade passa por um momento delicado, vivendo uma pandemia de enorme proporção e transmissibilidade, algo inimaginável há alguns meses. Os números da Covid-19 (doença transmitida pelo Coronavírus) crescem diariamente. Na data em que escrevo este artigo (24 de março), eram mais de 435 mil casos da doença em todo o mundo e quase 20 mil mortes, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, 2.271 casos e 47 mortes, sendo que o Estado de São Paulo detém aproximadamente 40% dos casos do país.

Os números crescem com muita velocidade e certamente, na data de publicação deste artigo, estarão desatualizados, mas isso também serve como parâmetro para medir a extensão da pandemia no Brasil. O Ministério da Saúde está atento ao Coronavírus - e ao que até então ocorria na China - desde o início do ano.

Em 22 de janeiro foi montado, no Brasil, um Centro de Operações de Emergência para monitorar a situação do Coronavírus, e coordenar as ações de emergência. E nossas autoridades, com destaque para o ministro Luiz Henrique Mandetta, têm adotado ações enérgicas e corretas na prevenção e controle da pandemia, como medidas para o isolamento social, que tem se mostrado o principal agente de contenção da transmissão até agora. A importância de um sistema de saúde integrado e uma vigilância sanitária e epidemiológica bem estruturadas nunca foram tão importantes.

O Brasil até agora está passando no teste, mas não podemos deixar de registrar que talvez estivesse mais forte para enfrentar essa crise se o financiamento público de saúde fosse mais condizente com a realidade do país. Afinal, apenas 22% dos brasileiros possuem algum vínculo com operadoras de planos de saúde e, mesmo assim, a saúde privada movimenta 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, e o Sistema Único de Saúde (SUS), única alternativa assistencial para 78% dos brasileiros, responde por apenas 3,8% do PIB, segundo relatório do Banco Mundial. É claro que o SUS sofre com o subfinanciamento.

Há anos que entidades representativas da saúde denunciam o sucateamento da rede médico-hospitalar brasileira que atende ao SUS. Levantamento da Federação Brasileira de Hospitais (FBH) e da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde) mostra que, de 2010 a 2019, foram fechados 560 hospitais no país, sendo que boa parte deles (42,6%) atendia ao SUS. Isso representa quase 35 mil leitos a menos.  Enquanto isso, a população brasileira saltava de 196,8 milhões para 210,1 milhões no período, um crescimento de 6,76%. Esses leitos e hospitais hoje fazem falta no combate à pandemia. O fato é que o Coronavírus está colocando os sistemas de saúde e econômicos em xeque.

Pela primeira vez em um histórico de 124 anos, uma pandemia adia a realização de uma Olimpíada. Só em três ocasiões nesse período os jogos deixaram de ser realizados: em 1916, 1940 e 1944, em decorrência das duas grandes guerras mundiais. Do ponto de vista econômico, ainda é impossível avaliar o tamanho do impacto que a pandemia causará.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirmou que se trata de uma ameaça sem precedentes para a economia mundial. Acredito no Brasil, nas nossas instituições e nos profissionais de saúde. Temos, sim, condições de enfrentar e sair dessa crise. Como resultado desse momento difícil espero que fique, para todos, a importância de contarmos com um sistema de saúde organizado hierarquicamente e com integração entre público e privado. E que, enfim, saúde e educação sejam SEMPRE prioridades de todos os governantes.

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