Difíceis prognósticos


Não faltam motivos para que sinais vermelhos de alerta sejam acionados, de forma permanente. Desde 2014 o número de beneficiários de planos de saúde percorre uma linha reta em declive. 50 milhões de usuários, número existente àquela época, foi reduzido para 47 milhões ao fim de 2018. Sobram fatos consistentes para que e essa situação ocorra. Desemprego gerado por uma longa crise econômica constitui a causa principal. Entretanto outras existem, a começar pelos reajustes de mensalidades, acima dos níveis oficiais de inflação e incompatíveis com a renda média da população.

Dados realçam que os custos em saúde, nos últimos 10 anos, cresceram 189% e os reajustes das mensalidades autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS, para o mesmo período ficaram em 155%. Poderia o SUS acolher a essa nova demanda? A resposta passa pela crise fiscal e pelo estabelecimento do teto de gastos. Portanto, saturação plena, não obstante o projeto de integração total dos sistemas, a ser testado de forma experimental em Alagoas. Em breve.

O aguardado e bem vindo aumento de longevidade, ocasionado por conscientização para cuidados pessoais, formas avançadas de diagnósticos e terapias, contribui para o incremento de maiores dispêndios. O gasto médio por cliente, que era de R$1.170,00 em 2008, num salto acrobático, foi para R$ 3.384,00 em 2018. No V Fórum da Federação Nacional de Saúde Suplementar - FENASAÚDE, realizado em outubro passado a entidade, que reúne e congrega as empresas responsáveis por 36% dos segurados no país, explicitou todos os problemas que afligem o setor e, por consequência, a clientela.

Naquela ocasião foram divulgados planos futuros, contidos no “Projeto Mais Saúde” e expostas metas que possam racionalizar, amenizar e favorecer economicamente clientes e operadoras:

- Retorno dos planos individuais;
- Reajustes definidos a partir da variação dos custos assistenciais, com auditoria e análise da ANS;
- Existência de portabilidade dos planos;
- Escalonamento do aumento do valor dos planos por mais faixas etárias;
- Novas opções de segmentação dos planos (por exemplo, só exames ou só consultas), para atender a diferentes necessidades e capacidades de pagamento;
- Mecanismos para conter custos, como pagamento de coparticipação ou franquia pelo beneficiário que utilizar os planos contratados;
- Coibir o uso desnecessário de serviços;
- Mais rigor na incorporação de novas tecnologias, levando em conta os impactos orçamentários e critérios de custo-efetividade, com base em evidências científicas;

Portanto, o “Projeto Mais Saúde” prevê um número expressivo de modificações nas atuais condutas de relacionamento cliente, operadoras e prestadores;

Seria suficiente? O Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, presente ao evento, em breve depoimento, foi muito claro ao enfatizar a presença atuante de um sistema complementar eficiente e que possa suprir às necessidades, em consonância com o SUS. Citou também os problemas que afetam um sistema que, de quase livre, em pouco tempo, passou a cumprir
regulações excessivas. Porem, as dificuldades ultrapassam a todos os pontos citados. São vinculadas e proporcionais a todos os problemas estruturais do Brasil.

Gradativamente, estarão nos caminhos das resoluções, em rumo paralelo ao real crescimento e à transformação do país. Entretanto, muito há por ser feito, principalmente em relação aos processos de integrações de sistemas, das operadoras com prestadores de serviços e clientes. Ações que visam instituir interoperabilidade e, como consequência, muito mais racionalizações de serviços e atendimentos, com diagnósticos abreviados, terapias antecipadas e custos minimizados. A valorização acionária das operadoras em bolsas de valores, notadamente no ano em curso, justificam plenamente novos investimentos.