Exames laboratoriais campeões no diagnóstico de doenças silenciosas como a Hepatite C


A Organização Mundial da Saúde (OMS) relata que cerca de 71 milhões de pessoas têm infecção crônica pelo vírus da Hepatite C (HCV) no mundo, sendo que uma porcentagem significativa desenvolverá cirrose ou câncer de fígado. Doença silenciosa – visto que as novas infecções costumam ser assintomáticas – e que ainda não conta com uma vacina eficaz, depende do empenho diagnóstico para ser identificada com rapidez e precisão, já que medicamentos antivirais podem curar até 95% das pessoas por ela acometidas. E aqui entra a importância dos exames laboratoriais capazes de diagnosticá-la de forma simples e acessível.

Os números impressionam. A OMS também afirma que, em 2016, aproximadamente 399 mil pessoas morreram em decorrência da Hepatite C no mundo, principalmente por conta de cirrose e carcinoma hepatocelular. Nesse mesmo ano, no Brasil, o Ministério da Saúde sugeria que aproximadamente 657 mil pessoas estavam infectadas. Como a medicina diagnóstica pode contribuir com a construção de um cenário menos danoso para a população?

No Brasil, com o intuito de ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento da Hepatite C em todo o território nacional, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC) sugere, no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite C e Coinfecções, que alguns grupos populacionais sejam prioritariamente testados.

Nesses grupos estão pessoas que convivem com o HIV, que já utilizaram ou ainda utilizam drogas injetáveis, trabalhadores do sexo, pessoas em risco de exposição a sangue ou outros materiais biológicos contaminados (como profissionais de saúde e bombeiros, por exemplo), pessoas com algumas comorbidades pré-definidas e muitas outras. 

São duas etapas principais para diagnóstico da infecção por HCV. Um teste sorológico focado na identificação de anticorpos e realizado pela metodologia ELISA – que detecta antígeno ou anticorpos por meio de reações enzimáticas – é capaz de apontar pessoas infectadas com o vírus, que é transmitido pelo sangue. Porém, nem sempre o paciente que apresenta um teste sorológico positivo está com a infecção ativa. Até 30% das pessoas infectadas conseguem eliminar a infecção de forma espontânea graças a uma resposta imune forte e ativa. Assim, mesmo que o sistema imunológico tenha combatido a infecção, o teste sorológico permanecerá positivo. Na sequência, a confirmação se dará, então, por um exame molecular de PCR qualitativo para o RNA do HCV.  

Caso tenha sido realmente diagnosticado com a infecção, o paciente segue realizando novos exames, dessa vez para averiguar se há lesão hepática, seja cirrose ou fibrose, e qual o grau. E aqui entram biopsias ou outros testes não invasivos, como, por exemplo, a elastografia hepática. Esses exames auxiliarão o médico na tomada de decisão quanto ao tratamento.

Infelizmente, o diagnóstico da Hepatite C também sofreu perdas durante a pandemia de Covid-19. Trouxemos, na última edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, dados que revelam a queda no número de testes para detecção da infecção. Entre as associadas à Abramed, a variação na quantidade de sorologia para Hepatite C caiu 28,4% entre março e agosto de 2020 ante igual período de 2019. 

Dessa forma, é realmente importante que a população tenha ciência sobre a importância do diagnóstico preventivo que é, inclusive, enfatizado por campanhas como a do Julho Amarelo, que acabamos de vivenciar e que destaca a luta contra as hepatites virais. Alinhando educação e conhecimento à medicina diagnóstica, conseguimos evitar que o Brasil viva mais uma pandemia viral, dessa vez da Hepatite C.

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