Mundo paralelo


O desenvolvimento da inteligência humana nos levou a crer que o mundo foi feito exclusivamente para o bem estar da nossa espécie. Céu, montanhas, rios, mares e florestas passaram a ser degradados para satisfazerem nossos variados tipos de consumos. Soberbamente esquecemos que outras milhões de espécies convivem conosco e também buscam seus espaços. Ao nos considerarmos a espécie suprema da Terra passamos a desconsiderar a biodiversidade dos seres não humanos, incluindo microrganismos e plantas.

Criamos conceitos, leis e regras que sistematicamente nos permitem devassar os espaços de outros bichos e seus habitats, quer sejam eles grandes, pequenos ou microscópicos. Não adiantou nada a domesticação e a criação de animais para o nosso consumo alimentar iniciadas há mais de 10 mil anos, pois continuamos a caçar aqueles a quem denominamos por selvagens, quer seja por buscas de paladares diferenciados, para matar a fome, ou como prática de consumo cultural.

Foi justamente através desta última razão que vírus acomodados em vísceras de morcegos passaram a contaminar seus comensais humanos, causando-lhes a doença do coronavirus 19 (covid19). Desequilíbrios das biodiversidades e dos ecossistemas passaram a ocorrer no momento em que a inteligência humana desviou de sua evolução natural para satisfazer os egoísmos de seus prazeres. Contudo, não se pode penalizar apenas os comportamentos contemporâneos, pois a eles se somaram as práticas depredatórias seculares.

Ao criarmos um mundo imaginário ideal nos últimos cinquenta anos, esquecemos de exercitar um dos nossos mais lúcidos sentimentos da humanidade, a contemplação. Deixamos de influenciar os comandos dos nossos entornos e os delegamos aos cuidados de políticos com qualidades comportamentais e administrativas duvidosas.

Da mesma forma, deixamos de pensar, manifestar e concluir, e os transferimos estes incômodos exercícios mentais para jornalistas-comentaristas de TVs e emissoras de rádios que nos assustam com suas ignorâncias e nos aterrorizam continuamente. Abandonamos o prazer de criar e passamos a usar as coisas prontas, que nos tem deixado preguiçosos, obesos, doentes 

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