Não dá mais pra segurar


Se formos realizar uma revisão de tudo que vem ocorrendo com os sistemas laboratoriais, em todas as suas dimensões técnicas, de tecnologia da informação, bem como as associações de todos os ingredientes que possam ser colocados à disposição da melhor assertividade, resolutividade e presteza, iremos constatar que estamos frente a um novo ambiente laboratorial, totalmente renovado e pronto para dispor aos clientes todas as soluções viáveis para um diagnóstico exato, e as mais eficientes monitorações em terapias.

Seria possível deduzir que as estatísticas citadas há cerca de 10 anos de que 70% das enfermidades seriam diagnosticadas a partir dos laudos laboratoriais, estejam defasadas. Esse percentual atualmente deve estar aumentado. Convivemos, de modo incessante, com invasões de novas, metodologias e equipamentos, situação que nos faz crer que, em pouco tempo, o Laboratório dos tempos atuais, não será mais reconhecível.

É possível, também verificar a busca incessante pelo que existe de mais atual pelos profissionais de Laboratório Clínico. O exemplo mais palpável foi a verificação da frequência, interesse e lotação das salas no 46º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas, realizado pela SBAC em Belo Horizonte, Expo-Minas de 17 a 20 do mês passado.

Emocionante o interesse dos colegas, profissionais de Laboratório, das mais diversas faixas etárias e de todos os pontos cardiais do país, presentes ao encontro de atualização técnica, ampliação dos conhecimentos em gestão, complementados por trocas de informações e intercâmbios via grupos de WhatsApp.

Todas essas movimentações constituem a comprovação de que a ciência laboratorial caminha, a passos largos e seguros, para confirmar ser a principal e a mais econômica fonte de informações para diagnóstico e monitorização de terapias.

Entretanto existem frentes que operam o mais acentuado labor para que essas manifestações de crescimento não ocorram, e procuram, de todas as formas possíveis, criar barreiras para o crescimento da ciência laboratorial, ignorando ou procurando ignorar todos os benefícios que possam ser oferecidos aos clientes.

A começar pelo poder público que, através do Sistema Único de Saúde, não atualiza as tabelas de remuneração dos serviços laboratoriais há exatos 25 anos (desde a implantação do plano Real). E, segundo palavras do atual Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, o SUS necessita de serviços “mais baratos”.

A ANVISA, entidade que regula todos os serviços de Saúde no país publicou em 2005 a RDC 302, através de amplas discussões setoriais, obtendo a colaboração, apoio e parceria de todas as entidades em que os setores laboratoriais orbitam. Agora, frente aos tempos de revisão da mesma RDC, todos novamente a postos para colaborar e obtermos, mais uma vez, um regulamento moderno, avançado e totalmente condizente com os tempos atuais.

Entretanto diversas VISAs estaduais e municipais, incluem regramentos próprios e os aplicam de forma discriminatória e incompreensível, apontando preferentemente os serviços privados. Há não muito tempo uma VISA de importante cidade do país, vetou a coleta domiciliar em veículo de aplicativo, mesmo que todos os materiais fossem transportados em recipientes com monitorização local e externa da temperatura.

A maioria das operadoras de planos de saúde, seguradoras e empresas de Medicina do trabalho escolhem seus “parceiros laboratoriais” unicamente pelo preço mais baixo, sem levar em conta os conceitos e preceitos da qualidade.

Algumas, da mais alta expressão no mercado, convocam prestadores de serviços laboratoriais para forçar baixa nos valores de remuneração, alegando entre outras coisas o excesso de exames solicitados, com repetições desnecessárias, tanto para confirmação de diagnóstico ou troca de médico assistente pelo conveniado. São situações que poderiam ser evitadas caso disponibilizassem sistemas de informações que contemplem, de forma total, o histórico do paciente.

A relação custo-benefício que os procedimentos laboratoriais propiciam aos compradores de serviços está totalmente defasada. Urge o equilíbrio, para que possa prosseguir a oferta aos clientes públicos e privados todas as garantias de serviços atualizados, enquadrados em todos os padrões de qualidade e conformidade.