O importante papel socioeconômico da Saúde


O último Boletim Econômico da FEHOESP, que traz um balanço de janeiro a dezembro de 2019, traz dados interessantes e que merecem uma análise mais profunda. O Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) mostra que o número de estabelecimentos de saúde cresceu no ano passado 4,1% no Brasil, totalizando 344.203 empresas. Desse total, 24,8% são estabelecimentos públicos (85.492), 73,2% são privados (251.700) e só 2% filantrópicos (7.011). Apesar de representar a menor fatia de estabelecimentos do país em percentual, o setor filantrópico (que também é privado, mas sem fins lucrativos), detém 27,2% do total de hospitais, o que mostra a importância deste segmento na assistência médico-hospitalar da população.

Dos 6.742 hospitais brasileiros, 1.831 são filantrópicos, 2.448 são públicos (36,3%) e 2.463 privados (36,5%). Esse crescimento absoluto no número de empresas foi puxado, principalmente, pela abertura de 8.563 consultórios médicos (crescimento de 5,2% no ano), de 1.109 policlínicas (13,8% de aumento) e de 1.442 clínicas especializadas (2,8%). Apesar de representar apenas 129 novas empresas, o setor de assistência domiciliar (ou home care) registrou crescimento de 17,5% no período, mostrando tendência à desospitalização, ou seja, cuidados no domicílio ou em outros serviços de transição e retaguarda.

O número de hospitais cresceu 0,8% no ano passado, com a “abertura” de 55 novas unidades. Esse dado merece atenção especial. A administração pública abriu três unidades em 2019 e o setor privado, 61. Então, por que a conta não fecha, pois deveríamos ter 64 novos hospitais, certo? Ocorre que o setor filantrópico perdeu nove unidades hospitalares no período. O fechamento de hospitais da rede filantrópica mostra, principalmente, o que as entidades representativas da saúde vêm denunciando há anos: o subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS), pois a maioria desses hospitais depende quase que exclusivamente do sistema público.

O fechamento de hospitais filantrópicos explica a queda na oferta de leitos públicos. O SUS perdeu 3.959 leitos, uma redução de 1,2% de dezembro de 2018 a dezembro de 2019. Do total de 490.397 leitos existentes no país, 327.035 (66,7%) atendem ao SUS e 163.362 são destinados à saúde suplementar ou particulares (33,3%). Claro que o SUS têm papel assistencial importantíssimo, afinal, 77,6% dos brasileiros dependem exclusivamente dele. De uma população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 210.147.125 pessoas, apenas 47.039.728 (22,4%) são vinculadas ao setor suplementar.

E esse dado mostra outra discrepância: 22,4% da população têm 33,3% do total de leitos à disposição, enquanto a grande maioria (77,6% das pessoas) dispõe de 66,7% dos leitos SUS. Um setor que movimenta mais de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) do país também é um grande empregador. O número de postos de trabalho na saúde apresentou crescimento de 4% no país no ano passado, totalizando a abertura de 90.125 novas vagas com carteira assinada, ou 2.319.231 trabalhadores. Esses dados mostram a pujança da saúde brasileira e seu importante papel socioeconômico.

Enfim, a saúde é um setor com papel social inquestionável e com enorme importância na economia. Investir em saúde é garantir não só melhores condições de vida e bem-estar aos cidadãos, mas também emprego, problema sério que o Brasil precisa resolver. É por tudo isso que defendemos uma reforma tributária que não onere ainda mais o setor de saúde, que simplifique a gestão das empresas, diminua a desigualdade social e colabore com o crescimento sustentável do país. 

 

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