O paciente do futuro


Nosso personagem preocupa-se com a sua SAÚDE. Em acesso à faixa etária em que surgem, de forma esporádica, dores musculares ou de cabeça, palpitações ou um xixi meio preso. Leitor bem informado de novidades em saúde preventiva, periodicamente visita seu clínico para realizar uma revisão, sempre completada por uma bateria de exames laboratoriais e imagens. Todos os laudos empatam de forma honrosa com os limites da normalidade. Após a sua mais recente consulta procurou o laboratório de sua confiança para a realização dos exames solicitados. Assustou-se ao verificar o valor dos serviços. Seu clínico acrescentou, à lista de sempre, mais alguns procedimentos, que pesaram de forma significativa no valor final.

Cliente fiel do laboratório esboçou algum tipo de contestação e foi contemplado com um desconto especial. Assim mesmo ficou caro. Entretanto, consciente das necessidades e recomendações de seu clínico, realizou os exames. Profissional razoavelmente remunerado, nunca havia cogitado em planos de saúde, entretanto, a partir daquele momento tornouse um estudioso nessas questões. Pesquisou a diversidade de tipos de atendimento que existem no país, a começar pelo SUS. Após seguiu em suas pesquisas analisando as ofertas de seguradoras e operadoras de assistência em saúde. Avaliou, de todas as formas, a relação custo-benefício.

Insatisfeito com o que leu, resolveu percorrer o caminho das inovações em saúde. A primeira constatação foi a de que, com a entrada da Microsoft e do Google no setor SAÚDE, ocorrerão modificações contundentes. A empresa Deep Mind, rede de clínicas oftalmológicas dos EUA, adquirida pelo Google por valores superiores a 2 bilhões de dólares poderá realizar, graças aos algoritmos incluídos em seus sistemas, de modo muito rápido, a identificação de 50 diferentes tipos de enfermidades oftalmológicas, atividade para a qual, se utilizados métodos convencionais, haveria a necessidade de uma equipe de profissionais.

Avaliam realizar estes mesmos diagnósticos através da telemedicina, onde seriam examinadas fotos dos olhos, e do olhar. Telemedicina e cuidados à distância são ferramentas capazes de manter a conectividade com os pacientes a qualquer hora e lugar. Descobriu já existir diagnóstico de câncer em tempo real, através de um bisturi, o IKnife, desenvolvido no Imperial College London. Proporciona uma retirada muito mais exata do tumor, em ambiente quente. O calor gerado no procedimento ajuda a cessar o sangramento e produz gases que, coletados, são submetidos a análises espectrométricas que identificam, por sua composição química se é tecido normal ou canceroso.

Os wearables, cada vez em maiores estágios de desenvolvimento, serão indispensáveis no monitoramento de pacientes suscetíveis a alguns tipos de enfermidades. Caso ocorra alguma mudança repentina no formato dos sinais transmitidos a central que os monitora, de forma imediata, enviará as necessárias instruções de como proceder, ou o imediato socorro. Da mesma forma, nanorobôs poderão ser instalados em algum sítio do paciente, ou na corrente circulatória monitorando ações medicamentosas e sinalizar, de forma imediata, sempre que necessário.

Desde a conclusão do projeto genoma, estuda-se com mais fundamentos a introdução de uma medicina realmente personalizada. Razoáveis são as possibilidades de que todos os terráqueos tenham seu DNA previamente analisados e, dessa forma, as condutas e prescrições otimizadas às necessidades do metabolismo do paciente. Os exoesqueletos permitirão com que pacientes com paralização de membros inferiores e superiores possam utilizá-los para todas as necessidades, ao reestruturar sensações naturais. Ocorrerão conexões instantâneas entre cérebro e próteses. 

Impressoras 3D manufaturarão equipamentos médicos, próteses, ou até formas morfológicas customizadas de medicamentos. Terão funcionalidade efetiva na medicina regenerativa, ao produzirem tecidos com vasos sanguíneos, segmentos ósseos, válvulas cardíacas e órgãos necessários às cirurgias reparadoras. Robôs percorrerão os ambientes hospitalares, executando e provendo os pacientes de cuidados primários, bem como provas laboratoriais, na forma de TLPs.

Os cuidados em saúde superarão às capacidades das clínicas e hospitais. Novas tecnologias, bem como novas modalidades de atendimento proverão maior empoderamento aos pacientes, através de um grande incremento ao auto- conhecimento e, graças às consultas bem dirigidas e orientadas aos sites de qualidade em divulgação de temas de saúde, poderão fazer seus diagnósticos e, sobre eles, conversar em pé de quase igualdade com profissionais de saúde.
 

O tradicional e convencional Laboratório de Análises Clínicas jamais deixará de existir e nunca perderá a sua importância. Entretanto deverá estabelecer o foco e o ponto moderador
entre os exames rotineiros ou urgentes, realizados à beira do leito do paciente, ou de forma remota. Deverão monitorar, de forma permanente, a qualidade interna e externa e o desempenho dos testes. Sua equipe técnica terá a incumbência de realizar essa função, resolvendo eventuais não conformidades, esclarecendo e orientando, aos demais profissionais de saúde do estabelecimento hospitalar, à solução de todas e quaisquer dúvidas existentes. Este Laboratório deverá realizar também os procedimentos mais sofisticados, tais como testes genéticos, provas de compatibilidade e todos aqueles exames que não se enquadrem como passíveis de execução à beira do leito. Serão muitos, e cada vez de maior complexidade e acurácia.

Os gastos em saúde extrapolarão à capacidade de pagamento dos filiados e seguirão por esses caminhos, sempre crescentes. A sofisticação dos novos sistemas de diagnósticos e terapias, aliados a maiores expectativas em longevidade poderão superar todas as previsões orçamentárias, e as capacidades financeiras da imensa maioria dos bolsos. Nos EUA em 2018 os custos gerais em saúde alcançaram 18% do PIB. Lá estão concentrados os mais exaustivos estudos em redução de custos, e as maiores expectativas de atendimento primário em estabelecimentos farmacêuticos. A capilaridade das farmácias pode proporcionar essa possibilidade. 

Pesquisas realizadas pelas redes CVS e Walgreens em parceria com as principais operadoras de planos de saúde United Health e AETNA fazem previsões de que, nessas instâncias, 60 a 70% das ocorrências em saúde possam ser resolvidas. As demais encaminhadas de forma imediata a clínicas e hospitais. Com isto, a possibilidade de planos de saúde mais econômicos e abrangentes. 

Urge, também, o incremento de interoperabilidade entre clientes, operadoras, profissionais e estabelecimentos de saúde, através de grandiosos programas de compartilhamento de dados, que poderão reduzir, de forma drástica, custos em repetição desnecessárias de consultas, exames, procedimentos e internações. Num exemplar processo colaborativo, parcerias produtivas serão muito mais eficientes e palatáveis que concorrências predatórias. Enquanto tudo acontece, nosso personagem permanece em dúvida sobre o caminho a percorrer. Ele, e significativa parte dos profissionais de Saúde.

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