O paradoxo da Tecnologia da Informação estratégica

Artigo de opinião: Marcelo Lorencin


MARCELO LORENCIN Fundador e CEO da Shift, empresa de Tecnologia da Informação voltada para medicina diagnóstica; faz parte de um seleto grupo de CEOs em Harvard.

É inegável como a Tecnologia da Informação (TI) tem impactado consideravelmente os negócios de todo o mundo. Tanto do ponto de vista operacional, permitindo maior eficiência, quanto do ponto de vista da gestão. Do ponto de vista estratégico, a TI traz subsídios para o melhor aproveitamento das oportunidades e mitigação de riscos, além da possibilidade de disrupção de negócios, fato que tem deixado os CEOs bastante atentos aos temas de Inovação e Tecnologia.

Desta maneira, vemos que a Tecnologia da Informação está intimamente ligada à performance e estratégia das organizações. No entanto, observamos que esse setor, em muitas empresas, ainda está distante da estratégia, assim como aconteceu com a área de Recursos Humanos (RH) há alguns anos. Faço este paralelo pois no passado - e infelizmente no presente para algumas companhias - o RH era “separado” da estratégia empresarial e sempre reativo. Primeiro se definia a estratégia e depois se procurava recurso e capital intelectual, o que levava tempo e trazia gaps.

Hoje, os setores de Desenvolvimento Humano Organizacional são estratégicos e entendem profundamente do negócio da empresa, tornando-se um grande parceiro na evolução das organizações. O mesmo cenário está acontecendo no setor de TI, onde notamos equipes desconectadas, ou no mínimo reativas ao negócio, participando somente da execução, o que pode trazer, inevitavelmente, riscos.

A evolução para transformar essa área em uma frente estratégica deve ser uma missão para os setores de tecnologia. Nesse cenário, é fundamental que a TI faça seu movimento de trazer o mindset e entendimento do negócio para suas atividades, de forma a que possa de fato contribuir nos aspectos operacionais, táticos, estratégicos e até mesmo disruptivos. Afinal, a tecnologia por si só não basta, ela deve servir a algo, pode e deve potencializar as necessidades do mercado. 

Vamos relembrar que a Netflix não acabou com as locadoras, apenas é uma locadora “diferente”, trazendo maior comodidade. A Uber não rompeu com os taxistas, mas sim com o serviço insatisfatório e tarifas. Da mesma maneira que a Apple não destruiu a indústria musical, mas sim a exigência de compra de álbuns completos. Estes exemplos mostram que a tecnologia potencializa o atendimento às demandas do mercado e à transformação dos hábitos de consumo.

Hoje nas organizações muito se fala da importância de tecnologias para alavancar negócios e trazer mais valor ao mercado e seus clientes. Em todo lugar se fala de business intelligence, big data, secutity, analytics, inteligência artificial, realidade aumentada, entre outras tantas tecnologias que permitem esta transformação digital preconizada O paradoxo da Tecnologia da Informação estratégica pelo mercado. Mas, muitas vezes, não se sabe por onde começar.

A aproximação da TI ao negócio é um grande desafio, vemos alguns movimentos, como por exemplo de especialistas de negócios se aprofundando em tecnologia da informação e viceversa. No entanto, esta aproximação está mais lenta do que o próprio movimento das mudanças e, por isso, a TI precisa se transformar em Business Partner das organizações, tal como aconteceu com os RHs nas empresas mais bem-sucedidas do mundo.

O desenvolvimento destas competências mais amplas deve ser pauta dos líderes, das organizações, instituições de ensino e do mercado de trabalho como um todo. No Brasil, a maturidade das empresas em relação à transformação digital ainda é baixa. Segundo dados do Indicador de Transformação da TI, estudo lançado pela IDC, Dell EMC e Intel em 2018, em uma escala de 0 a 100, o grau de maturidade das empresas brasileiras está em 43,7 pontos.

Assim, a TI estratégica é fundamental para o amadurecimento das empresas nesse processo de transformação que observamos hoje. Cada vez mais a união de competências dentro de uma organização será fundamental para a evolução e criação de novos negócios na era digital, é nisto que acredito!

MARCELO LORENCIN Fundador e CEO da Shift, empresa de Tecnologia da Informação voltada para medicina diagnóstica; faz parte de um seleto grupo de CEOs em Harvard.

É inegável como a Tecnologia da Informação (TI) tem impactado consideravelmente os negócios de todo o mundo. Tanto do ponto de vista operacional, permitindo maior eficiência, quanto do ponto de vista da gestão. Do ponto de vista estratégico, a TI traz subsídios para o melhor aproveitamento das oportunidades e mitigação de riscos, além da possibilidade de disrupção de negócios, fato que tem deixado os CEOs bastante atentos aos temas de Inovação e Tecnologia.

Desta maneira, vemos que a Tecnologia da Informação está intimamente ligada à performance e estratégia das organizações. No entanto, observamos que esse setor, em muitas empresas, ainda está distante da estratégia, assim como aconteceu com a área de Recursos Humanos (RH) há alguns anos. Faço este paralelo pois no passado - e infelizmente no presente para algumas companhias - o RH era “separado” da estratégia empresarial e sempre reativo. Primeiro se definia a estratégia e depois se procurava recurso e capital intelectual, o que levava tempo e trazia gaps.

Hoje, os setores de Desenvolvimento Humano Organizacional são estratégicos e entendem profundamente do negócio da empresa, tornando-se um grande parceiro na evolução das organizações. O mesmo cenário está acontecendo no setor de TI, onde notamos equipes desconectadas, ou no mínimo reativas ao negócio, participando somente da execução, o que pode trazer, inevitavelmente, riscos.

A evolução para transformar essa área em uma frente estratégica deve ser uma missão para os setores de tecnologia. Nesse cenário, é fundamental que a TI faça seu movimento de trazer o mindset e entendimento do negócio para suas atividades, de forma a que possa de fato contribuir nos aspectos operacionais, táticos, estratégicos e até mesmo disruptivos. Afinal, a tecnologia por si só não basta, ela deve servir a algo, pode e deve potencializar as necessidades do mercado. 

Vamos relembrar que a Netflix não acabou com as locadoras, apenas é uma locadora “diferente”, trazendo maior comodidade. A Uber não rompeu com os taxistas, mas sim com o serviço insatisfatório e tarifas. Da mesma maneira que a Apple não destruiu a indústria musical, mas sim a exigência de compra de álbuns completos. Estes exemplos mostram que a tecnologia potencializa o atendimento às demandas do mercado e à transformação dos hábitos de consumo.

Hoje nas organizações muito se fala da importância de tecnologias para alavancar negócios e trazer mais valor ao mercado e seus clientes. Em todo lugar se fala de business intelligence, big data, secutity, analytics, inteligência artificial, realidade aumentada, entre outras tantas tecnologias que permitem esta transformação digital preconizada O paradoxo da Tecnologia da Informação estratégica pelo mercado. Mas, muitas vezes, não se sabe por onde começar.

A aproximação da TI ao negócio é um grande desafio, vemos alguns movimentos, como por exemplo de especialistas de negócios se aprofundando em tecnologia da informação e viceversa. No entanto, esta aproximação está mais lenta do que o próprio movimento das mudanças e, por isso, a TI precisa se transformar em Business Partner das organizações, tal como aconteceu com os RHs nas empresas mais bem-sucedidas do mundo.

O desenvolvimento destas competências mais amplas deve ser pauta dos líderes, das organizações, instituições de ensino e do mercado de trabalho como um todo. No Brasil, a maturidade das empresas em relação à transformação digital ainda é baixa. Segundo dados do Indicador de Transformação da TI, estudo lançado pela IDC, Dell EMC e Intel em 2018, em uma escala de 0 a 100, o grau de maturidade das empresas brasileiras está em 43,7 pontos.

Assim, a TI estratégica é fundamental para o amadurecimento das empresas nesse processo de transformação que observamos hoje. Cada vez mais a união de competências dentro de uma organização será fundamental para a evolução e criação de novos negócios na era digital, é nisto que acredito!