OMS amplia recomendação de exames essenciais para promoção da saúde e bem-estar


O mundo está enfrentando vários desafios de saúde, surtos de doenças evitáveis por vacinação, como sarampo e difteria, relatórios crescentes de patógenos resistentes a medicamentos, taxas crescentes de obesidade e inatividade física.

Para enfrentar essas e outras ameaças, a Organização Mundial da Saúde deu início a um novo plano estratégico, que tem a meta de garantir que 1 bilhão a mais de pessoas se beneficiem do acesso à cobertura universal de saúde, protegidas das emergências e desfrutando de bem-estar. Para isso, prevenção é fundamental.

Neste cenário, a OMS divulgou a segunda edição da Lista de Exames Laboratoriais Essenciais para a assistência à saúde. O documento deste ano foi expandido para incluir testes responsáveis pelo diagnóstico e monitoramento de doenças como o câncer e outros desafios globais de saúde, com ênfase em soluções eficazes, priorização racional e acesso ideal para os pacientes.

A primeira lista de diagnósticos essenciais publicada em 2018 continha 113 testes concentrados em um número limitado de doenças prioritárias como HIV, malária, tuberculose e hepatite. Nesta segunda edição, a OMS adicionou 115 testes ao documento, 12 deles destinados a ampliar a detecção precoce de câncer, especialmente de tumores sólidos e das células germinativas, tais como o câncer colorretal, do fígado, do colo do útero, da próstata, da mama, leucemia e linfomas.

Também foram inseridos no documento exames para detecção de doenças infecciosas adicionais predominantes em países de baixa e média renda, como cólera, e doenças negligenciadas como leishmaniose, esquistossomose, dengue e zika. Além disso, uma nova seção para testes de influenza foi adicionada para ambientes de saúde das comunidades onde não há laboratórios disponíveis. O documento contempla ainda exames laboratoriais utilizados para diagnóstico e controle de outras condições como anemia e mau funcionamento da tireoide.

Iniciativas como essa devem ser comemoradas e servir como principal direcionamento para que todos os países priorizem os serviços fundamentais e trabalhem para que estes recursos sejam disponibilizados à população de forma ampla e acessível.

Em tempos de redução de custos é necessária uma avaliação criteriosa e inteligente para que não sejam cortadas despesas, que na verdade deveriam ser encaradas como investimento na saúde.

A Agência Nacional de Saúde (ANS) estima que pacientes doentes custam 7 vezes mais do que um paciente saudável na mesma faixa etária. Segundo dados da literatura científica, os gastos em saúde com as práticas da Medicina Laboratorial não ultrapassam 3% do total. Em contrapartida, a especialidade médica responde por 70% das decisões clínicas do país.

A Lista de Exames considerados essenciais pela OMS endossa e reforça ações do setor de medicina laboratorial, em especial, a campanha ImportantePrevenir da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, que visa a conscientizar especialistas e a população sobre a importância do uso racional dos exames laboratoriais.

Continuamos trabalhando na esperança de que um dia toda a população mundial tenha acesso a um sistema de assistência que esteja preparado para promover a saúde e prevenir doenças. E não apenas para confirmar e monitorar patologias que poderiam ser prevenidas ou diagnosticadas mais precocemente.