Por uma biomedicina que atenda à nova demanda tecnológica


Por conta das novas tecnologias que incluem informática, automação, genômica, imunologia, entre outros, a segunda década do século 21 (2010-2019) mexeu com quase todos os setores de prestações de serviços médicos de muitos países, entre os quais o Brasil.

A automação laboratorial, por exemplo, foi resultado de um progresso natural que ocorreu na área de auxílio diagnóstico médico, principalmente por sua rapidez, bons níveis de segurança técnica e de reprodutibilidade de resultados. No entanto, como ocorre em qualquer progresso, a automação teve seu lado perverso evidenciado principalmente pela diminuição de postos de trabalho notadamente para os recém graduados das áreas biomédicas. 

É provável que a diminuição de oferta de empregos seja a principal causa pela qual recentemente vários cursos universitários de biomedicina não conseguiram formar novas turmas de graduação, pois os estudantes que buscam cursos universitários para a sua formação, procuram, também, conhecer a inserção de seus profissionais no mercado de trabalho. 

Embora os biomédicos não dependam exclusivamente de atividades em laboratórios, pois há várias outras áreas de atuações profissionais oferecidas em cursos de biomedicina, há de se considerar que justamente o laboratório é responsável por absorver cerca de 70% de seus graduados.

Além da automação laboratorial, ocorreram desenvolvimentos tecnológicos fantásticos nas áreas de diagnósticos moleculares e imunológicos. Três exemplos a seguir ilustram o que está ocorrendo em centros de excelências de diagnósticos laboratoriais: 

(1) paciente que obedeceu às orientações médicas preventivas para evitar a elevação de seu colesterol se decepciona ao saber que sua proteína APO-E é mutante e, assim, não efetua adequadamente a remoção de gordura de seu sangue e, por isso, o colesterol continua elevado; 

(2) pessoa de meia idade recebeu cinco endopróteses de expansão vascular (estentes ou stents) por conta de que sua proteína MMP3 que atua nas remoções de coágulos e detritos intravasculares é mutante e, portanto, não consegue desbloquear naturalmente seus vasos sanguíneos; 

(3) uma pessoa que se submeteu a tratamentos para quatro diferentes tipos de câncer em vinte anos descobriu que a provável causa destas doença se devia à baixíssima concentração de linfócitos T CD8 (Células T citotóxicas), expondo a fragilidade imune do paciente frente ao aparecimento contínuo de células com tendências tumorais. 

Estes três exemplos mostram que a genética molecular de proteínas e enzimas, bem como a imunologia relacionada com determinação de antígenos de membrana celular, serão disciplinas necessárias à formação dos profissionais que vão atuar em laboratórios, justificando a necessidade da adequação curricular de cursos de medicina, biomedicina e bioquímica, principalmente.

A expectativa é que os laboratórios clínicos que incluírem métodos recentes para avaliações genômicas das patologias mais frequentes, medições da capacidade imune e determinações de proteínas que participam de sinalizações celulares, estarão à frente de seus concorrentes, pois oferecerão aos médicos resultados mais adequados para que as condutas clínicas e os procedimentos terapêuticos tenham maiores eficácias.

Conclui-se, assim, que somente profissionais com ampla base de conhecimentos científicos e que estão atentos às atualizações tecnológicas, terão competitividade de emprego em laboratórios de portes médio e grande. Diante dessas novas requisições que começam a fazer parte do rol dos pedidos médicos, é preciso readequar alguns cursos da área de saúde, entre os quais destaco o de biomedicina pela sua performance laboratorial.

Essas readequações incluem radicais modificações em suas grades curriculares e que abrangem conhecimentos de tecnologias de imagens 3D, bioquímica e genética moleculares, imunologia de receptores celulares, e domínio sobre a lógica dos algoritmos aplicados às informações de novos parâmetros de resultados de exames laboratoriais.

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