Privacidade X Prioridade


Numa situação de pandemia, como a que estamos vivenciando na atualidade, nunca antes imaginavel, existem fatores que devem, sem dúvida, preservar o coletivo, pensando na erradicação da doença e relevar alguns momentos em que a privacidade de alguns possa ser temporariamente esquecida. Alguns desses momentos já foram lembrados em texto anterior, quando pacientes, não raros, que utilizaram hidroxi-cloroquina em seus tratamentos para a Covid19, foram orientados à não divulgação da terapia.

Assuntos que já são do mais amplo conhecimento. Entretanto, em abril deste ano, quando a doença se instalava de forma avassaladora no continente europeu, e norte da África, uma empresa de tecnologia em Israel, HA Magem, criou um aplicativo para smart phones, que instalado nos celulares dos pacientes afetados, sinaliza às pessoas sadias nas cercanias a presença de um doente, ou convalescente. Com esse aviso os indivíduos sadios, com o aplicativo instalado, poderão se afastar para um local mais distante, correndo muito menos riscos de contrair a enfermidade.

O sistema é todo construído através de ferramentas em código aberto e projetado para ser usado idiomas hebraico, inglês, árabe e russo. De acordo com informações do Dr. Morris Dorfman, diretor geral do Ministério da Saúde israelense, o sistema pode ser oferecido, a custo zero a outros países que vierem a se interessar. Os eventuais problemas tecnológicos estão todos superados. Resta resolver o problema maior. Como convencer os usuários a ter suas privacidades invadidas por um órgão governamental? Poderão ter seus dados pessoais e localizações expostos.

Às operadoras de celulares não é permitido o rastreamento de telefones, sem o seu pleno conhecimento. O Primeiro Ministro Benjamin Nethanyahu ordenou à Agencia de Segurança Interna Shin Bet que monitore os portadores do vírus, ação esta contestada por grupos representativos dos Direitos Civis, em Israel, chefiados pelo brasileiro-israelense André Luiz Amram Duque. Declara também a maior autoridade pública do país que Israel é uma democracia plena, e deve manter o equilíbrio entre os direitos civis e as necessidades públicas. São ações que permitem localizar os doentes, e, desta forma, impedir que o vírus se espalhe. Dorfman

afirmou ser uma ação totalmente necessária, pois, para quem tem a presença do vírus confirmada, as autoridades devem agir de forma muito rápida, para encontrar aqueles que tiveram contato, testá-los e monitorar de forma imediata. Por enquanto apenas 17% da população baixou o aplicativo, cerca de 1.5 milhões de pessoas. Número insuficiente, segundo as autoridades israelenses. Necessitam a totalidade, para, após, poder realizar o planejamento definitivo em relação às situações de trabalho geral e retorno das atividades escolares. Na primeira semana de uso do programa, cerca de 50.000 pessoas, portadoras do aplicativo, se auto declararam em quarentena, tal era o volume de sinalizações recebidas.

A Global Keeper, empresa parceira de HA Magen, já está instalando esse aplicativo na Índia e em mais 20 países da Europa, com tecnologia GPS, Blue Tooth e WI FI, que permitem prescrições, à distância, em tempo real. A grande discussão que restará, incide justamente, no que pode ser considerado ético, aos tempos de pandemia. Entretanto tudo pode e deve ser equiparado aos tempos de guerra. Portanto, desprovidos de contestações

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