Raça e racismo - texto 2 (Classificação das raças)

(Tópicos retirados do Livro: Raça / Racismo: Relações com Doença Falciforme e Talassemia)


A mais antiga espécie dos hominídeos foi o Australopithecus que surgiu no sul da África, há cerca de 3 milhões de anos. A expansão do homem pelo mundo começou muito cedo, lá pelos 2,5 milhões de anos, quando saiu de seu lugar de nascimento, a África Oriental. Este provável é o ancestral do homem, que tinha algumas características semelhantes ao homem moderno. Entre o aparecimento dos primeiros hominídeos e o aparecimento do Homo sapiens, há um espaço de sete milhões de anos. Os primeiros hominídeos viveram na África Sul-Oriental. Nesse intervalo de tempo, houve dois segmentos (ou gêneros) principais de hominídeos, o Australopithecus e o Homo, sendo que foi este quem deu origem ao homem da época atual, o Homo sapiens.

O nome Homo sapiens é uma expressão latina que significa literalmente “homem sábio” ou “homem que sabe”. Estima-se que os primeiros Homo sapiens tenham aparecido aproximadamente entre 300 mil e 100 mil anos atrás, na atual região do Leste da África, que atualmente corresponde a vários países, entre eles temos: Quênia, Tanzânia, Uganda, Somália, Etiópia, Eritréia, Sudão. Este Homo sapiens, mais ou menos 25.000 mil anos atrás, começou a expandir as suas fronteiras em todas as direções da Terra, a partir de uma onda de povoamento na Europa, na Ásia, na Austrália e na América, ou seja, ele se propagou através de todo o mundo antigo, isto é África, Europa e Ásia. A principal característica deste Homo sapiens é a sua capacidade de pensar e raciocinar, tendo também complexas estruturas sociais e sistemas de comunicações. O Homo sapiens aperfeiçoou as técnicas de obtenção de alimentos, ampliou as formas de organização social, estruturou a religião e produziu manifestações artísticas (1, 2, 3).

No século XVIII o médico naturalista sueco Carl Nilsson Linnæus (1707-1778), que em português era Carlos Linneu (botânico, zoólogo e médico naturalista) criou em 1758 um sistema de classificação para os seres vivos, através de características comuns, sendo os humanos classificados dentro da espécie Homo sapiens. Nesta classificação todos os humanos que estavam na superfície da terra foram oriundos de uma única raça a de Homo sapiens. Entretanto, para não contrariar o pensamento dominante da época, Linneu dividiu a humanidade em 4 subespécies de acordo com a cor da pele, o tipo físico e pretensos traços de caráter, que já sugeria uma hierarquização, tais como (4): Vermelhos Americanos (morenos coléricos, cabeçudos, geniosos, despreocupados, amantes da liberdade governados pelos hábitos, tem corpo pintado), Amarelos Asiáticos (melancólicos“, governados pela opinião e pelos preconceitos, severos, ambiciosos, usam roupas largas), Negros Africanos (flegmáticos, astuciosos, preguiçosos, negligentes, ardilosos, irrefletidos, governados pela vontade de seus chefes – nepotismo – unta o corpo com óleo ou gordura, sua mulher tem vulva pendente e quando amamenta seus seios se tornam moles e alongados) e Brancos Europeus (sanguíneos,
musculosos, inteligentes, engenhosos, inventivos, governados pelas leis, usam roupas apertadas, ativos). 

Esta classificação com a diversidade humana não só foi totalmente aceita, como também serviu de base para classificações futuras (2,3). Infelizmente ao associarem qualidades psicológicas, morais, intelectuais e culturais àscaracterísticas físicas das raças humanas, os naturalistas estabeleceram uma hierarquização, atribuindo uma superioridade, dita natural, ao indivíduo da raça branca (4).

No século XIX Charles Darwin formulou a teoria da mutação das espécies mostrando que as espécies se adaptam ao meio natural, geram criaturas diferentes de sí mesmas dando origem a novas espécies, e que algumas espécies se extinguiram dando lugar a outras.Para Darwin o surgimento do Homo sapiens era descendente dos Antropoides. Darwin não encontrou critérios nem argumentos para classificar as diferenças no Homo sapiens, e que somente a genética poderia explicar (6). A comunidade científica e outros setores da sociedade se opuseram a classificação de Darwin, porque não podiam admitir que o homem branco, “superior” tivesse como antecessor um Antropoide que também deu origem ao macaco.

Admite-se hoje que o homem é “parente” do antecessor que deu origem ao macaco e não seu descendente (7). A partir do século XIX o termo Raça passa a ser usado frequentemente para designar populações humanas na dependência do Fenótipo, das Concepções Sociais e dos Agrupamentos. Genótipo se refere a constituição de genes do indivíduo. Fenótipo é a interação
do Genótipo com o meio ambiente, sendo uma característica que pode ser alterada na dependência do meio ambiente (8, 9)

 

Referências

1) Fernandes C. Origem do Homem. http://brasilescola.uol.com.br/historiag/origem-homem.htm Consulta em 29 / 10 / 2017
2) GELEDÉS: Instituto da Mulher Negra. In: Questão Racial. Só existe uma raça. E ela surgiu na África. 10 / 01 / 2016. https://www.geledes.org.br/so-existe-umaraca-e-ela-surgiu-na-africa/ Consulta em 20 / 10 / 2017.
3) Jornal BRASIL 247: O Seu Jornal Digital. 28 de dezembro de 2012. Só existe uma raça, e ela surgiu na África. https://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/89206/S%C3%B3 Consulta em 20 / 10 / 2017
4) Gunnar Eriksson. «Carl von Linné» (em sueco). Nationalencyklopedin – Enciclopédia Nacional Sueca. Consultado em 24 de fevereiro de 2016.
5) Munanga K. Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia. Palestra proferida no 30 Seminário Nacional Relações Raciais e Educação. PENESB. Rio de Janeiro: PENESB 2003
6) Browne, J. A Origem das Espécies de Darwin: uma Biografia. Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 2007.
7) Vieira AB. Darwin e as raças humanas. Antropologia Portuguesa. 26/27:87-06, 2009 / 2010.
8) Harrison G. Race and Reality: What everyone should know about our biological diversity. Amherst (New York). Prometheus Books, 2010.
9) Keita SOY, Kittles RA, Royal CDM, et al. Conceptualizing human variation. Nature Genetics, 36 (11s): S27-S20, 2004

NOSSOS PARCEIROS