Raça e racismo - texto 5 - Qual a importância da categorização racial no Brasil?

(Tópicos retirados do Livro Raça / Racismo: Relações com Doença Falciforme e Talassemia)


Informações mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o Brasil e no ano de 2015, referem que se autodeclararam Afrodescendentes 53,9% da população, ou seja, se consideram de pele preta ou parda, ou seja são Mestiços (1).

Na Área de Saúde e tendo relação com o “Racismo Brasileiro” existe uma tendência de se considerar determinadas anemias genéticas, tais como: Doença Falciforme ou Falcemia uma doença de raça negra e Talassemia uma doença de raça branca.

Este tipo de informação existe principalmente pela falta do conhecimento – Ignorância – de determinados fatos, tais como:

1) A denominação de Raças pela cor da pele, tem por base, principalmente a quantidade de Melanina, que é a substância responsável pelas cores das peles negras e brancas. As Doenças Falciformes e as Talassemias não são doenças da Melanina, são Anemias em que a qualidade genética da Hemoglobina (uma substância que está no interior das hemácias e estas são células do sangue) quando está comprometida, dificulta a capacidade de oxigenação de todos os tecidos do organismo, gerando anemias.

2) Através de estudos genéticos mitocondriais foi estimado que pelo menos 89 milhões de brasileiros são Afrodescendentes, e este número é bem maior do que os 76 milhões de pessoas que no Censo de 2000 do IBGE (2) se declararam negras (pretas e pardas). As análises de polimorfismos nucleares mostraram resultados ainda mais expressivos porque 146 milhões de brasileiros (86% da população) apresentaram mais de 10% de contribuição africana em seu genoma. Por esta razão existem pessoas com variados tipos de cores (brancas, negras, mulatas, morenas, sararás, pardas, escurinhas, moreninhas, etc.) e de cabelos (lisos, crespos, ondulados, etc.). Todas estas pessoas podem apresentar genes (em homozigose e ou heterozigose) para a presença da Doença Falciforme e ou da Talassemia (3, 4, 5, 6).

3) Deformidade da Razão, porque o Racismo é uma tendência do pensamento, em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras. No racismo os que se consideram “Brancos”, acreditam que a sua característica física hereditária tem relações e podem ser responsáveis por “uma inteligência maior”, fazendo com que eles se sintam superiores em relação aos que “Não São Brancos”. Esta Deformidade da Razão gera o comportamento da necessidade da Dominância em determinados grupos que são “aparentemente mais claros” sobre outros que são considerados “mais escuros”: os pretos e os afrodescendentes (7, 8, 9).

No Brasil, não existe nenhum grupo humano que seja Racialmente Puro, pois as populações brasileiras contemporâneas são o resultado de um longo processo de miscigenação que vem variando, e se ampliando, com o passar dos tempos. A união entre imigrantes europeus e brasileiros apenas alterou o Fenótipo, porque a população brasileira já teve desde o início um Genótipo Mestiço e continua com o genótipo mestiço (2). 

 

Referências: 

1) Ministério da Saúde – Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. Uma Política do SUS, pg 11, 3ª Edição, Brasília D.F, 2017. 2) IBGE/ Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. 27: 1-125, 2006. 3) Florentino, M; Machado C. Ensaio sobre a imigração portuguesa e os padrões de miscigenação no Brasil (séculos XIX e XX). PSR. 10 (1): 58-84, 2002. 4) Pena SDJ, Bortolini MC. Pode a genética definir quem deve se beneficiar das cotas universitárias e demais ações afirmativas? Estudos Avançados. 18 (50): 31-50, 2004. 5) Pena SDJ. Reasons for banishing the concept of race from Brazilian medicine. Historia, Ciências, Saúde – Manguinhos, 12 (1): 321-346, 2005. 6) Wambua S, Mwangi TW, Kortok M, et al. The effect of ? +- Thalassaemia on the incidence of Malaria and Other Diseases in Children Living on the Coast of kenya. PLoS Medicine 3 (5): e1548, 2006. 7) Barbujani G. L’invenzione dele razze SPA, Milan 2006. A invenção das raças. S. Paulo. Editora Cpntexto, 2007, 175p. Tradução por Rodolfo Illari. 8) Guimarães ASA. Como trabalhar com “raça” em Sociologia. Educação e pesquisa, São Paulo, 29 (1): 93-107, 2003. 9) Pena SDJ. Reasons for banishing the concept of race from Brazilian medicine. Historia, Ciências, Saúde – Manguinhos, 12 (1): 321-346, 2005.

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