Resposta rápida, adaptação e um sistema de saúde forte: pilares da boa resposta a pandemias

Dr. Wilson Shcolnik


Ninguém está totalmente preparado para enfrentar uma pandemia infecciosa, mas a capacidade de agir rapidamente e a de se adaptar às novas realidades representam pilares essenciais para uma resposta eficaz, focada na menor geração possível de danos. E a pandemia de covid-19, que vivemos no Brasil de forma intensa desde o início de março, prova essa teoria.

Assim que o primeiro caso foi confirmado no Brasil, nossos laboratórios privados, com muita celeridade, passaram a desenvolver in house seus kits de RT-PCR para diagnóstico da infecção na fase aguda. Em meio a tantas incertezas sobre como agir contra esse patógeno desconhecido, testar o maior número possível de infectados, isolá-los e testar seus contatantes sempre foi a estratégia número um para combate à disseminação do novo coronavírus. Quanto à relevância do diagnóstico precoce, nunca houve dúvidas.

Considerando que o caminho era a testagem, a batalha foi para driblar os inúmeros entraves existentes para obter reagentes, equipamentos e profissionais capacitados a realizarem tais exames e, assim, fechar o cerco contra a alta transmissibilidade dessa doença. No entanto, em nosso país, a falta de insumos, os problemas logísticos e as dificuldades de acesso a determinadas regiões ainda impedem que seja possível implementar a estratégia perfeita. 

De toda forma, o contexto da pandemia trouxe à tona ideias e antigos projetos, como o Complexo Industrial da Saúde, permitindo que novos horizontes fossem buscados para produzir, no país, os insumos necessários aos sistemas de saúde.

A importância da união – e da colaboração – entre todos os elos da complexa cadeia de saúde nunca foi tão necessária. Uma indústria forte e uma medicina diagnóstica capacitada tecnicamente, com boa infraestrutura para suportar a emergencial alta da demanda, somadas a recursos humanos especializados e cumprindo as melhores práticas internacionais, sempre baseadas em evidências científicas, além de políticas bem-estruturadas para dar garantias de saúde e, também, econômicas, são os fundamentos de uma boa atuação diante da crise. 

Com sinergia entre todos os atores, conseguimos promover a tríade da melhor resposta a pandemias: detecção precoce + estratégias eficazes de contenção de novos casos + redução da mortalidade. Nessa última vertente, inclusive, está o enorme empenho científico mundial para a elaboração de uma vacina segura e eficaz contra o novo coronavírus, o que, mais uma vez, coloca sistemas de saúde em alinhamento com pesquisadores, indústrias e laboratórios. 

E todos esses esforços em lidar com a covid-19 não podem reduzir o empenho do setor de saúde em cuidar de tantas outras doenças que assolam o mundo. Não é inteligente direcionar absolutamente todos os recursos para lidar com o vírus, atrasando, assim, diagnósticos e tratamentos de outras especialidades. 

O reflexo dessa via de mão única é uma nova onda prejudicial à saúde pública por trazer pacientes com doenças agravadas em um futuro não tão distante. 

Mesmo diante de uma pandemia causando perdas enormes – até setembro, somente no Brasil, foram 142 mil mortes confirmadas por covid-19 –, é preciso manter a preocupação com o todo. Somar esforços, não os tornar unilaterais. Ignorar que outras doenças não esperam a pandemia passar para aparecer ou agravar é perigoso. Uma pesquisa da consultoria McKinsey & Company afirma que, somente nos Estados Unidos, 40% dos entrevistados confirmaram ter cancelado consultas, exames de rotina e até tratamentos para suas doenças crônicas. Outros 12% disseram que mesmo precisando de cuidados, não buscaram atendimento. A recuperação observada a partir de julho revela que esses pacientes já estão retornando aos serviços de saúde em busca de assistência. 

Por mais que haja uma ansiedade pelo fim da pandemia somada à esperança por uma vacina que produz, de forma segura, uma boa resposta imunológica, é fato que ainda teremos de lidar por muitos meses com esse cenário pandêmico, convivendo com o risco de novas ondas de recrudescimento. E, para isso, além da tomada rápida – e certeira – de decisões, precisamos investir urgentemente no envolvimento de todos os players em prol de um único propósito: a garantia da saúde populacional em todos os aspectos.

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