Tempestade viral


Tempos de COVID 19.

É líquido e certo que todas as gerações aqui presentes jamais presenciaram algo igual e, seguramente, jamais viverão situação similar. Cidades desertas com o comércio geral de portas cerradas. Trabalham apenas serviços ditos essenciais e os setores mais importantes e nevrálgicos da saúde. Unidades hospitalares, urgência e emergência, com um número significativo de profissionais, a mercê de uma progressão viral nunca antes imaginável. Impossível prever o final do evento, muito menos avaliar os traumas e cicatrizes emocionais, morais e financeiras que restarão ao fim da pandemia.

Não existem pessoas que, de alguma forma, não foram atingidas pela catástrofe. Escolas fechadas por tempo indeterminado. Jovens e crianças em casa recebendo algum conteúdo via web, longe dos colegas e amigos. Idosos privados das companhias queridas de filhos e netos. Famílias desprovidas de seus trabalhos informais, dependendo dos parcos recursos públicos e das ações beneméritas de pessoas, grupos ou instituições, felizmente sempre presentes. Encontros ou reuniões profissionais, como o momento exige, apenas à distância.

Situações que, num determinado momento, acarretarão solidão, tédio e abalos emocionais. A forma como todos esses acontecimentos nefastos irão influir no setor saúde merece uma ampla análise em relação às atuais e futuras consequências. Neste momento, não poderia ser diferente, todas as ações e atitudes estão voltadas à SARS-CoV-2, saturando a capacidade dos hospitais, UPAs e demais entidades de urgência e emergência.

Consultórios e clínicas, de todas as especialidades médicas e odontológicas estão fechados. Laboratórios e demais estabelecimentos voltados ao diagnóstico quando abertos atendem um mínimo de clientes, número equivalente a 10% do atendimento habitual. Repercussões universais. A Zimmer Biomet, a maior produtora mundial próteses e correlatos calcula que seu faturamento, neste ano, poderá cair pela metade, em função do elevado decréscimo no número de cirurgias de coluna e quadril.

A ANS publicou em 30/03/2020 uma longa nota, onde aborda essa situação, decidindo sobre prazos de atendimento, prorrogando, em caráter excepcional, os prazos máximos para a realização de consultas, exames terapias e cirurgias. Evidentemente, não aplicáveis aos casos de urgência, tratamentos oncológicos, pré-natal e partos, doenças crônicas e todos aqueles procedimentos em que, a não realização ou interrupção coloque em risco o paciente.

Resolve também incluir, de forma obrigatória, no rol de atendimentos, os procedimentos laboratoriais necessários ao diagnóstico do Corona Vírus, bem como o atendimento em situações da doença estabelecida. Recomendam, também, que providenciem meios adequados ao atendimento remoto de informações voltadas à pandemia. Aprovou a liberação de R$ 15,5 bilhões das reservas das operadoras, recursos a serem utilizados na pandemia. É um montante equivalente à cerca de 30% das reservas totais.

Num exercício de imaginação, poder-se-ia pensar até em que não haveria necessidade desta liberação, pois os pacientes acometidos pela Covid 19, em sua maioria, estão sendo atendidos nos hospitais públicos, que tem sido aparelhados e ampliados para poder enfrentar o atendimento e tratamento aos enfermos. Foram, também, montados inúmeros hospitais de campanha e adaptados, para internações, locais públicos de grande porte, tais como Pacaembu, Anhembi e Rio Centro, entre outros.

Sem dúvida, os serviços públicos, mesmo com as dificuldades amplamente conhecidas, estão enfrentando com êxito e heroísmo a tempestade viral. A saída do Ministro Mandetta não impedirá o Ministério da Saúde de continuar aprimorando o atendimento aos atingidos pela SARS-CoV-2, garantindo, na maioria dos casos, hospitalização a todos aqueles que necessitarem.

Considerando que a grande maioria dos procedimentos postergáveis estão estáticos, que as operadoras estão cada vez mais valorizadas (ver cotações das ações em bolsas) em razão de menores dispêndios e que os hospitais privados, que não internam pacientes Covid 19, estejam vazios e com sérios problemas de caixa, existem negociações para que as reservas das operadoras sejam destinadas ao pagamento de hospitais.

O intento seria garantir receitas por um período de três a seis meses, após amortizáveis via encontro de contas. Esta negociação está sendo liderada pela Associação Nacional dos Hospitais Privados – ANAHP. Utiliza como referência as médias de pagamentos realizados em 2019. Solução prática é factível que poderia aliviar o caixa, não só dos hospitais, como dos demais prestadores de serviços em saúde, que enfrentam situações similares.

Existe a total necessidade de procurar minorar a penúria de todos os setores da economia e da população. Vale lembrar, com destaque, o manifesto lançado por um significativo grupo de empresas de grande, médio e pequeno porte, juntamente com os três maiores bancos do país.

O nome desse manifesto - “NÃO DEMITA, A CRISE VAI PASSAR. Mantendo nossos quadros, ajudaremos a evitar ou diminuir um possível caos econômico e social e, com certeza, emergir da crise de forma mais rápida”. O setor Saúde estará preparado para absorver e operar todos os avanços de uma nova mentalidade, muito mais técnica, abrangente e eficiente, e sorver todos os novos conhecimentos que estão entre nós aportando. E repassá-los com igualdade e equidade a todos os setores da população. E assim, ver renascer um país mais igual, mais justo e, portanto, muito mais operoso.

A lamentar, apenas, a pressão de grupos econômicos, aliados a autarquias, no sentido de dirigir para as farmácias a execução de TLPs destinados ao mapeamento imunológico populacional. Trata-se de uma pesquisa da mais alta importância, pois serão disponibilizados trabalhos estatísticos relacionados à formação de anticorpos anti SARS-CoV-2. Dados da mais alta importância em qualquer epi/pandemia.

Tratam-se de procedimentos laboratoriais, e necessitam de expertise, e referidos como tal na RDC302 da ANVISA. São poucos os estabelecimentos farmacêuticos que executam estes procedimentos, vetados pela ANVISA, porém liberados por liminar judicial. Os Laboratórios de Análises Clínicas, distribuídos pela imensa maioria dos municípios no país, estão habilitados para executar, de maneira legal e com qualidade esse trabalho tão necessário.

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