Testar é prioridade


O mundo assiste estarrecido ao evento mais funesto que até agora o assolou. Inimaginável que uma pandemia possa se sobrepor aos danos causados por tantas guerras já ocorridas, mesmo que bens públicos, residências e estruturas coletivas permaneçam intactas. Nada superou a dor moral, física e emocional de viver e conviver com uma estrutura viral extremamente agressiva que viajou da China para percorrer todo globo terrestre, deixando um triste legado de mortos e doentes com longas e difíceis recuperações.

O mundo parou, o Brasil parou, através de quarentenas, distanciamentos sociais e “lockdowns”. Cessaram quase todas atividades rotineiras, famílias foram enlutadas, além de subtraída, de parte importante da população, a capacidade de subsistência. Para a maioria, a vida resume-se no ficar em casa, com as crianças e jovens, desprovidos da frequência às escolas, sem perspectivas concretas de retorno à total normalidade. Estamos às véperas do segundo estágio da pandemia, alvo já obtido em alguns países, tais como Alemanha e Coreia do Sul. Momento em que é alcançado o setor descendente da curva, o número de novos diagnósticos é inferior aos de curados e os óbitos diários começam a diminuir.

Nessa situação, algumas atividades entram em fase de retorno. Essa situação acontece com mais visibilidade em países de menor área territorial, justamente o exemplo da Alemanha, Coréia do Sul e outros de território similar. Países com dimensões continentais, o nosso, os EUA e a China, possuem área bem superior a 20 Coréias do Sul e Alemanhas. Nos países continentes existem diversidades nos estágios da pandemia espalhados por suas superfícies territoriais. Dependem das regiões da entrada do vírus e as direções tomadas pelos eventuais contaminados.

New York é o exemplo mais clássico. Esse estágio estará concretizados ao momento em que o número de novos contaminados diminuir. Restarão apenas doentes em fase de recuperação e poucos necessitando diagnóstico. Nesta situação, os testes laboratoriais para diagnósticos iniciais RT-PCR, mesmo sendo padrão ouro, terão diminuídas as suas importâncias fundamentais. Serão invocados apenas em novos casos ou em eventuais reinfecções, raras, porém descritas. É chegada a hora do mapeamento imunológico da população. De importância transcendental para verificar contaminados ainda recentes, IgM reagentes, os imunes IgG reagentes.

Essa avaliação também é absolutamente necessária tendo em vista à liberação dos espaços públicos para atividades escolares, culturais, físicas, comércio, confraternizações e recreações. Apesquisa dos anticorpos poderá ser realizada em Laboratórios de Análises Clínicas pelas metodologias ELISA, QML ou TLPs. Em farmácias através de TLPs, com base na RDC 377/2020 que permite, de forma temporária e excepcional, enquanto perdurar a pandemia, a execução desses procedimentos. Sem nenhuma referência a controle de qualidade, mesmo sendo procedimentos laboratoriais.

A principal inovação nessa atividade foi apresentada há poucos dias por uma Empresa de tecnologia do Rio de Janeiro para a realização de TLPs. Consiste num sistema de informática, representado através de um tablet com LIS próprio, destinados a todos os procedimentos laboratoriais, passiveis de serem realizados pela metodologia imunocromatográfica, inclusive para SARS-CoV 2. O LIS acessível pelo tablet permite o registro de todos os dados do paciente, efetua a leitura do código de barras do “pack” e emite os dados do teste.

Os resultados são enviados via aplicativo ao cliente, com notificação aos setores competentes do Ministério da Saúde e Vigilância Sanitária. O texto dos laudos e o Controle de Qualidade interno e externo são os padronizados pela SBAC e PNCQ. O consumo dos testes é gerenciado pelo LIS e, à medida que forem sendo utilizados, serão repostos, de forma automática, pela operação logística integrada. Desta forma, todos os Laboratórios de Análises Clínicas do país, mesmo aqueles localizados nos mais longínquos rincões, terão a possibilidade de participar, de forma ativa, e com qualidade, nesta empreitada pela saúde.

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