Todas as cores do sangue


Embora a cor do sangue dos vertebrados e seres humanos seja vermelha há algumas variações de tonalidades que podem ser naturais ou induzidas. Entretanto, na boca do povo a coisa desanda e o nobre líquido recebe algumas qualificações condenáveis. Meu mais recente levantamento sobre as cores de sangue incluem: chocolate (ou marrom), verde escuro, vinho, branco e azul. Algumas tem explicações científicas e outras são lendas populares.

Há também os adjetivos do sangue, geralmente carregados de ironia, por exemplo, o famoso sangue de barata, o detestável sangue ruim, ou o discriminado sangue fraco. Como sou um apaixonado pelo sangue e principalmente por sua cor vermelha, tento por vezes corrigir alguns incautos, explicando a razão de uma cor diferente, ou resgatando um sangue mal adjetivado. Vou tentar ser simples nas explicações sobre as diferentes cores do sangue e de alguns de seus adjetivos.

O sangue humano tem a cor vermelho vivo, ou escarlate, quando é retirado diretamente de artérias pois suas moléculas de hemoglobinas estão quase totalmente ligadas ao oxigênio (94 a 97% de saturação). Em sangue retirado da veia (sangue venoso) o nível de oxigênio cai para próximo de 60%, e os 40% da parte desoxigenada o deixa com a cor vermelho cornalina ou vermelho escuro. Porém, se a pessoa não bebe água adequadamente, ou está desidratada, o sangue se torna mais escuro ainda. Sangue com a cor vinho (ou violeta) é aquele estocado uma semana ou mais em refrigerador, algumas vezes com hemólise.

Esta também é a cor do sangue estocados em bolsas para transfusões de concentrados de hemácias. O sangue com a cor chocolate ocorre em pessoas com nível elevado de metaemoglobina, geralmente causado por deficiências de enzimas eritrocitárias notadamente a glicose6-fosfato desidrogenase. O sangue verde escuro é uma continuação do sangue chocolate, ou seja, numa pessoa intoxicada por sulfa, a cor passa de chocolate (metahemoglobina) para a cor verde escuro por conta do aumento do pigmento conhecido por sulfahemoglobina.

O sangue branco, por sua vez, ocorre em pessoas com mais de 800 mil leucócitos (leucemias) e com anemia acentuada. Nestes casos, os leucócitos por terem cor branca tinge o sangue anêmico com nuances esbranquiçadas. E para finalizar as cores do sangue, nada mais nobre que o sangue azul. Diz a lenda que um jovem negro africano, filho do rei mais rico da Etiópia, foi levado à Suécia no início da idade média para conhecer outros povos.

Acontece que uma princesa com pele muito branca se apaixonou pelo jovem visitante. Numa tarde de verão ambos foram se banhar num lago, e para espanto do rapaz ele viu que na alva pele da princesa suas veias tinham a cor azul celeste. Ao retornar para a África, o jovem africano relatou ao seu rei que os nobres brancos tinham sangue de cor azul. A adjetivação do sangue muitas vezes tem maldades associadas. Sangue de barata, por exemplo, é referido àquelas pessoas que ao se amedrontarem por coisas banais se tornam pálidas.

O sangue fraco é uma referência à covardia. Da mesma forma, o sangue ruim ou sangue bom são duas adjetivações antagônicas. Sangue ruim é destinado às pessoas más e cruéis, enquanto que sangue bom é o adjetivo que bajula pessoas bondosas, ou pertencentes a família de prestígio social, bem como ao amigo da gangue. No entanto, todas as adjetivações do sangue são inadequadas e são feitas por pessoas que desconhecem que este nobre líquido, tal qual o respiro, representa a vida, e trabalha incessantemente 24 horas por dia percorrendo cerca de 150 quilómetros de artérias e veias para nos alimentar, emocionar e, às vezes, nos deixar possesso. 

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