Um cenário na pós pandemia


Aparentemente estamos num período de estabilização da doença no país com algumas variações entre os estados, já que o tamanho do Brasil nos obriga a avaliar cada estado ou região como se um país fossem. De forma otimista, creio que, de agora em diante, a doença deverá iniciar um declínio visível e alentador. Mas só nos sentiremos mais seguros a partir da proteção vacinal que, numa perspectiva realista, deverá ocorrer apenas no primeiro trimestre de 2121. Esta pandemia trouxe e ainda trará muitas mudanças no comportamento das pessoas e das empresas.

É perceptível que a sociedade passou a agir com maior espírito comunitário, assim como os colaboradores participam mais ativamente na busca de soluções das empresas com o intuito de minimizar prejuízos. Não existem dúvidas de que, após o impacto sanitário da pandemia, teremos que conviver por muito tempo com o impacto financeiro decorrente desse período. A recuperação será lenta. Mas é possível que encontremos, ao mesmo tempo, formas para a correção dos erros que ficaram evidentes nos modelos social e de negócios até então adotados. Isto porque muitos comportamentos foram modificados e grande parte deles, sem dúvidas, ficarão como um legado para o futuro, na medida em que as pessoas e as empresas certamente perceberão vantagens que não poderão ser abandonadas.

Da mesma forma, muitos hábitos de consumo deverão ser modificados por terem mostrado que podem e devem ser revisados. Na alimentação, por exemplo, o modelo de negócios com ênfase no sistema de tele-entrega por meio de sites e aplicativos será incentivado – e talvez passem a ser a principal fonte de receita em alguns casos. Sem a menor dúvida, os sistemas de compras pela internet, que já estavam em alta, durante a pandemia cresceram vertiginosamente – e certamente continuarão a aumentar.

Além das empresas especializadas, as grandes redes comerciais ampliaram suas plataformas de compras permitindo o uso de seus sites e aplicativos por pequenos comércios, o que minimizou prejuízos e permitiu suas subsistências. O transporte público, um dos grandes vilões do distanciamento social – pela quase impossibilidade de evitar a proximidade entre os muitos usuários –, talvez seja o maior desafio na busca de soluções alternativas.

O trabalho remoto, adotado fortemente como alternativa durante a pandemia, deverá ser sedimentado como uma forma permanente para várias empresas, na medida em que oferece uma possibilidade de maior conforto e de mais produtividade a partir da reavaliação do deslocamento do funcionário até o trabalho. Na área industrial, temos a certeza de que o modelo da concentração fabril em alguns países que ofereciam vantagens financeiras será revisto, incluindo o incentivo das produções locais.

O mundo não pode mais depender de poucos locais específicos para produção em massa. Se tem uma coisa que a pandemia deixou evidente é que esta estratégia estava errada, uma vez que causou um grande desabastecimento e até mesmo pirataria. Na educação teremos uma forte expansão do ensino à distância nas modalidades plena ou híbrida – sendo o grande desafio estabelecer qualidade de ensino e avaliação adequada do desempenho dos alunos. As reuniões por meio de comunicação digital e à distância deverão ser utilizadas como formas padrão de gestão.

Afinal, as empresas se deram conta de que os custos decorrentes de reuniões na “sede da empresa”, por vezes implicando em despesas com passagens aéreas, hospedagem e tempo, deixaram de ter sentido na maioria das situações. Com tudo isso em mente, a SBAC já está se reinventando. Impedida de realizar seu congresso nacional deste ano, ponto alto da programação científica da sociedade, criou o SBAC Digita – evento on-line que teve sua primeira edição no mês de agosto.

O SBAC Digital terá continuidade nos meses de setembro, outubro e novembro, com três palestras mensais, certificado de participação, acesso aos patrocinadores em estandes virtuais e disponibilidade de todo material durante 30 dias após a data de cada apresentação. Este é um projeto que veio para ficar! Será uma das ferramentas mais fortes que a SBAC utilizará para atingir seus objetivos de fornecer e incentivar atividades científicas daqui para frente. A partir do próximo ano, ele acontecerá de forma sistemática e com grande frequência.

Em junho de 2021 realizaremos em Fortaleza o Congresso Brasileiro de Análises Clínicas. Com base no sucesso de nosso evento digital, estamos estudando de realizá-lo na maneira híbrida, ou seja, presencial e à distância. O formato presencial apresenta um “charme” especial por permitir o reencontro entre colegas e professores, assim como a participação social e a oportunidade de conhecer as últimas novidades em equipamento. Por esta razão, acreditamos que essa modalidade ainda permanecerá por muito tempo. Finalmente, vamos aguardar ansiosamente que a normalidade retorne, mesmo que em outro patamar, para que possamos desenvolver nossas atividades e projetos, muitos deles aguardando cenário mais propício.

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