A hora de responsabilidade


Dois mil e dezenove, não há dúvidas, será um ano desafiador para todos nós. Ao mesmo tempo em que o novo governo e a renovação no Congresso Nacional nos trazem boas expectativas, sabemos que há grandes passos a serem dados, intrinsicamente ligados à nossa maneira de levar adiante as contas públicas e o desenvolvimento.

A despeito de mudanças realizadas nos últimos dois anos , a fim de que o país retomasse o crescimento, as melhores projeções do mercado ainda são tímidas, e chegam a 2,5% de elevação do Produto Interno Bruto (PIB) para 2019. Enquanto isso, o último índice de desemprego medido e divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de outubro de 2018, ultrapassa a desconfortável marca dos 10%, chegando a 12,4% da população. Neste cálculo, não estão as pessoas que desistiram de buscar uma vaga, os chamados desalentados. Dados mais recentes sobre o desemprego seriam divulgados em 31 de janeiro deste, após o fechamento desta edição, mas não havia expectativas de melhora significativa.

O que os especialistas afirmam é que o PIB precisa crescer mais que 3% para que um impacto, de fato, seja sentido na geração de emprego. Porém, estudo divulgado em janeiro deste ano pelo BTG Pactual estimou que o Brasil deverá diminuir sua taxa de desempregados para um dígito somente em 2021, isso se mantiver o ritmo de crescimento esperado.

Se por um lado o crescimento da economia é urgente para a retomada, por outro temos nas mãos uma bomba-relógio chamada Previdência Social, cujo rombo não pára de crescer. Se colocarmos uma lupa sobre as contas públicas, veremos que déficit do governo central, em 2018 (dados acumulados até novembro), somou R$ 88,5 bilhões, resultado um pouco melhor do que em 2017, mas ainda assim preocupante. Nesta conta, o Tesouro conseguiu ter um saldo positivo de R$ 98,7 bilhões, devido ao aumento das arrecadações. Por outro lado, a Previdência registrou saldo negativo de impressionantes R$ 186,3 bilhões, junto com o do Banco Central, de R$ 913 milhões, também negativos. Os números são evidentes e nos apontam para o caminho de mão única: precisamos promover a reforma da Previdência.

Rearranjar a economia e realizar a reforma da Previdência são duas tarefas complexas e suficientemente desafiadoras, que devem tomar o tempo precioso tanto do governo quanto do Congresso Nacional. A responsabilidade dos parlamentares é gigantesca em relação a isso, especialmente no que diz respeito à reforma. Sob esta perspectiva, que é real e mais dramática, todo o resto fica menor. A responsabilidade é de todos nós.