Agora o hemograma


Há cerca de quatro anos uma startup israelense, Sight Diagnostics obteve a patente de um equipamento. O Parasight, voltado unicamente ao diagnóstico de Malária. O teste é realizado com a colocação de uma gota de sangue numa cápsula, após introduzida num equipamento de leitura, onde, por microscopia digital fluorescente, são identificados e classificados os eventuais Plasmodios existentes no material.

Esse equipamento ajudou na identificação de 600.000 casos de Malária no continente Asiático. Recentemente essa mesma companhia captou no mercado cerca de 28 milhões de dólares e está apresentando agora o OLO, equipamento de hematologia que poderá revolucionar o mercado laboratorial. Prometem fornecer um hemograma de 19 parâmetros através de um dispositivo, pouco maior que uma torradeira através de duas gotas de sangue total obtidas por picada digital.

O sangue após colhido é processado e colocado numa cápsula de uso único e analisado através de introdução da mesma no equipamento. A amostra é fotografada através de microscopia de múltiplos canais que, através dos algoritmos, diferenciam e contam as células, classificam e descrevem anomalias eventualmente encontradas. O resultado do teste é lido no visor do equipamento que realizou a contagem / leitura.

Dispensa aplicativos.

Yossy Pollak, CEO da Sight, cientista de trinta e poucos anos, bem longe dos quarenta, afirma peremptoriamente, inclusive nas peças publicitárias, que seu produto nada tem a ver com as máquinas produzidas pela Theranos, procurando, assim, desvincular de qualquer pensamento em que alguma analogia seja sugerida com aquele rotundo fracasso.

Esse produto já está certificado para venda e utilização em diversos países da União Europeia. Agora trabalham para implantá-lo nos EUA, onde já foram executados testes de uso na Columbia University, no Irving Medical Center e no Boston Children’s Hospital. Objetivam obter a aprovação do FDA ainda neste ano e após um licenciamento 510(k), que permite a operação em clínicas certificadas CLIA.

Até bem pouco tempo era público e notório que o hemograma seria o grande e último entrave na perpetuação dos testes rápidos no sistema laboratorial, pois trata-se de um conjunto de testes diferenciados em um único laudo. Tudo indica, e o desenvolvimento da pesquisa não desmente, que esse entrave em breve não existirá mais a nível global. Portanto fica perpetuada uma dúvida aos colegas do setor em relação ao caminho a seguir: Uns avaliam de forma trágica, outros novas oportunidades.

O “absolutamente certo” é que os laboratórios deverão sofrer um árduo momento de reciclagem, procurando adaptações a tudo que acontecerá em termos de inovações. Atenção maior a tudo que envolva rapidez e presteza na entrega de resultados, exigências cada vez mais justificáveis na cadeia do diagnóstico.

Consciência também de que testes laboratoriais são e serão cada vez mais fundamentais e que nada poderá ser efetuado sem os mesmos quando a pauta é diagnóstico e terapia.

O trunfo de que os Laboratórios de Análises Clínicas constituem a principal porta de entrada para os clientes de exames e, nas cidades pequenas e médias , a única, deve ser permanentemente lembrado.

Existe ainda uma extrema vantagem aos laboratórios, mesmo àqueles arraigados aos conceitos tradicionais. São eles que conhecem o sistema e, há muito tempo, convivem com QUALIDADE, termo e atitudes que poderiam ser mais invocados nos momentos atuais.

Aguarda-se que essa seja a palavra mais citada, e prestigiada nas próximas revisões das RDCs que visam aos nossos serviços.