Laboratório São Marcos: 50 anos de serviços prestados à população de Ribeirão Preto (SP)

Empresa realiza 60 mil exames mensalmente e conta com unidades em Orlândia, Sales Oliveira e Morro Agudo


Todo dia, faça chuva ou faça sol, às 5h30, Elias Gomes Goveia, chega ao Laboratório de Análises Clínicas São Marcos para liberar os exames e iniciar mais um dia de trabalho. O Laboratório, com 51 anos de existência, na avenida 9 de Julho, é a menina de seus olhos. “Nosso trabalho é humanístico e temos grande preocupação com a qualidade”, informa ele. Uma pesquisa de satisfação é realizada mensalmente junto aos pacientes e registra uma aprovação de 98%. “Os outros 2% são por conta das vagas de estacionamento que são insuficientes e a dificuldade de se estacionar nesta região”, afirma.

Goveia lembra que desde que começou a atuar na área de análises clínicas houve um avanço tecnológico surpreendente. De um processo manual para avaliar os exames, hoje tudo é informatizado. Aliás o Laboratório São Marcos se orgulha de ser o primeiro de Ribeirão Preto a se informatizar. “Somos também o pioneiro em equilíbrio ácido básico nos exames de gasometria. Esse é um fator que altera a dosagem hormonal nos exames de TSH, tireóide, prolactina e marcadores tumorais”, explica o farmacêuticobioquímico formado pela USP de Ribeirão Preto.

Na sua avaliação, a modernização apesar de agilizar o trabalho e dar mais rapidez ao resultado dos exames também causou o distanciamento do paciente. “Em umas coisas a gente ganha e em outras perde”, avalia.

Goveia vem de uma época em que a solidariedade é um fator importante. Seu laboratório sempre esteve de portas abertas para os colegas de profissão (tirar dúvidas e trocas de experiências), estudantes (que encontram espaço para o estágio). “Tudo o que posso ensinar não deixo passar. Quando comecei encontrei muitas portas fechadas, por isso faço questão de ajudar quando posso”.

Falta de reajustes e grandes grupos causam dificuldades

O ramo de análises clínicas, segundo ele, tem sofrido com a falta de reajuste nos procedimentos. Isto porque, segundo Goveia, embora a ANS (Agência Nacional de Saúde) reajusta periodicamente o valor dos convênios, o mesmo não acontece com os procedimentos, não só de análises clínicas como também de imagem (raio x, por exemplo). “O pagamento por um exame de glicemia custa pouco mais de R$ 1,00. Estamos sem reajuste há doze anos”, lamenta.

Além disso, há a realidade de grandes grupos adquirindo hospitais de menor porte para formar uma grande rede. “Em nossa região, isso já está acontecendo. Também temos grandes laboratórios comprando outros. Isso dificulta para os pequenos. É preciso muito fôlego para enfrentar esses conglomerados”.

Apesar das dificuldades enfrentadas no dia a dia, Goveia está confiante no novo governo. “O novo presidente disse que vai colocar técnicos em todas as áreas. Pode ser que o novo ministro da saúde tenha alguma sensibilidade com o setor”.

Vida de muito trabalho

Goveia, nasceu em Anápolis, no estado de Goiás, mas mudou-se para Uberaba, em Minas Gerais , ainda menino. Formou-se em Farmácia-Bioquímica em 1964 e fez pós-graduação na Faculdade de Laboratório São Marcos Laboratório São Marcos: 50 anos de serviços prestados à população de Ribeirão Preto (SP) Medicina da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. É casado há 55 anos com Adair Bassoli Goveia e pai de quatros filhos (um já falecido).

Ele começou a trabalhar na área com o Dr Paulo Nogueira, que era médico do Hospital São Francisco, e onde ele atuou por 38 anos. Hoje, além do laboratório em Ribeirão Preto, há também outras três unidades: em Orlândia, Salles Oliveira e Morro Agudo. Ao todo são 30 funcionários que viabilizam 60 mil exames/ mês. Mas quem pensa que tudo são flores na vida deste empreendedor está muito enganado. Vindo de uma família humilde, ele sempre trabalhou para poder manter seus estudos. “Quando o curso era de dia eu trabalhava à noite e, quando o curso era noturno, eu trabalhava de dia”.

E, a profissão que o acompanhou até se formar em Farmácia e Bioquímica, foi a de garçon. Gouveia trabalhou muitos anos no Hotel Umuarama, quando ainda era no centro de Ribeirão Preto e, sempre engajado, chegou a presidir o Sindicato dos Hoteleiros. Foi nessa profissão que serviu aos presidentes João Goulart, Presidente Dutra, Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros. Foi também garçon de muitos professores da Faculdade de Medicina, inclusive do professor Zeferino Vaz, seu primeiro diretor. “Quando o conheci, ele estava numa cruzada para conseguir a doação da área onde hoje está a USP, Naquela época a área pertencia ao Ministério da Agricultura. Sem saber, elogiei o trabalho do professor Zeferino a um técnico do Ministério que estava em Ribeirão Preto. E que acabou facilitando a doação da área. Quando a faculdade completou 10 anos de implantação em Ribeirão Preto, o professor Zeferino Vaz me homenageou”, relembra ele muito orgulhoso.

Além disso, Dr. Elias como é chamado pelos seus funcionários, fala fluentemente inglês, francês espanhol. E, para completar ainda é piloto profissional.