Legislativo assume o protagonismo


A aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno pela Câmara dos Deputados, com 379 votos favoráveis (eram necessários 308), colocou Câmara dos Deputados e Senado Federal nos holofotes, transformando-os nos protagonistas da política nacional. Me refiro, aqui, ao bom protagonismo, aquele que agrega, que anda para frente, que assume posição de destaque por servir à Nação e aos brasileiros. É bom diferenciar esse papel daquele outro, anteriormente desempenhado pelo próprio poder Legislativo que sequer analisava a conveniência para o país e, sim, aprovava ou não de acordo com interesses pessoais e/ou corporativos, não importando se a sociedade precisava ou não daquela determinada medida.

Foram apenas 131 votos contrários à nova Previdência. A margem folgada surpreendeu até ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e mostra uma consciência social por parte dos deputados federais que há muito não víamos. Acompanhei pela TV a votação e, confesso, fiquei emocionado com o resultado. Estamos escrevendo um importante capítulo na história desse país, que pode nos levar ao crescimento e desenvolvimento que tanto almejamos.

A FEHOESP e todos os seus sindicatos filiados defenderam e apoiaram a reforma da Previdência desde o início, pois sabemos que, sem ela, novos investimentos em setores essenciais para a sociedade, como a saúde, são inviáveis. Somente com a reforma previdenciária é possível melhorar o Sistema Único de Saúde (SUS), o financiamento do setor e propiciar um cenário mais otimista aos investidores e empresários. Sem isso fica difícil gerar empregos, hoje outro grande problema do país.

O segundo turno de votação da reforma, na Câmara dos Deputados, acontecerá no início de agosto. Depois, é a vez do Senado discutir, votar e – esperamos – aprovar a reforma. Até que esse processo esteja concluído precisamos estar alertas para que nenhuma nova declaração do Presidente da República provoque desgastes e atritos que podem colocar tudo a perder.

A reforma da Previdência por si só não vai tirar o Brasil da crise, mas é um excelente começo. Paralelamente, a sociedade também precisa agir para pressionar seus representantes a debater uma reforma administrativa do Estado, importante para melhorar a qualidade do gasto público, além da reforma tributária. Enquanto o país avança e mostra sinais de maturidade, Bolsonaro se mostra mais preocupado em fazer do filho um embaixador nos EUA. Lamentável, mas vamos continuar fazendo a nossa parte e como já disse nosso grande artista brasileiro: “apesar de você, amanhã há de ser outro dia”.