MANDETTA


Não conhecia Luiz Henrique Mandetta, Deputado Federal pelo Mato Grosso do Sul. Sequer tinha conhecimento da sua existência.

Quando o vi pela primeira vez, assistindo pela televisão à cobertura da audiência pública, em 20/11/2018, onde foram discutidas a intempestividade e as consequências da retirada dos médicos Cubanos ao atendimento clínico ao SUS, tive favorável impressão e mais adiante certeza de estar ante a um parlamentar com o mais amplo conhecimento do tema em pauta e, nas entrelinhas do seu pronunciamento, uma visão extraordinária do atendimento à Saúde no país.

Nos livros de tela grande, ao pesquisar o Deputado Mandetta, li tratar-se um Médico com formação em ortopedia e que havia sido Secretário de Saúde em seu município, Campo Grande.

Poucos dias após, tive a satisfação de vêlo convidado pelo Presidente Bolsonaro para ocupar o cargo de Ministro de Estado da Saúde na formação do novo governo. Mais adiante, anuiu João Gabbardo dos Reis como Secretário Executivo.

Melhor ainda. Não são tocadores de obras e, muito menos, banqueiros.

Formarão uma dupla de qualidade e respeito, que poderão, juntamente com os membros da nova equipe, introduzir ou recolocar na assistência à Saúde Pública do país todos os conceitos que levaram à criação do Sistema Único de Saúde, atendimento universal de qualidade, técnico, científico e sobre tudo racional e sem aparelhamentos, com foco exclusivo nas ações em saúde e bem estar.

Entretanto, imagino que devam ter todo o conhecimento das mazelas que poderão prejudicar as melhores intenções e a vontade de recolocar as ações em seus devidos lugares.

Vão encontrar uma estrutura viciada, com base em conceitos superados, em que no primeiro plano preponderava um coletivo imaginário, em detrimento de ações práticas que deveriam ter foco na saúde individual e coletiva. Se depararão, também, com estados e prefeituras que utilizam o SUS como fontes de apadrinhamentos, e negócios escusos.

Irão ao encontro direto de falta de financiamento. É de conhecimento geral que as ações em Saúde sempre são deficitárias, e que as verbas alocadas nunca serão suficientes para bancar os planejamentos e atender ao todo. Sempre algum setor poderá ficar em detrimento, em relação às ações básicas e preferenciais.

Verificarão um SUS inflado, pois um número altamente significativo de famílias, que abandonaram seus planos de Saúde por falta de meios para pagamento, agora recorrem ao sistema público.

Nações com muito mais recursos financeiros tem preocupação permanente com o financiamento da assistência em saúde. Os EUA investiram valores acima de 18% do PIB em 2018.

Absurdo?
Necessário?

Buscam, de forma permanente, ações de economia e racionalizações de atendimento, procurando aliar eficiência com acessibilidade aos clientes.

As farmácias de rede CVS (10.000 no total) serão transformadas em porta de entrada aos 44 milhões de clientes da operadora AETNA para o atendimento. É previsão que até 70% das ocorrências possam ser resolvidas pelas equipes de Saúde instaladas nos pontos de atendimento. As demais encaminhadas, de imediato, às instâncias mais resolutivas.

Apesar de lembrar a antiga “Pharmacia” que existia até a metade do século passado, em que quase todas possuíam consultório médico, não deixa de ser inovação em racionalização, eficiência, capilaridade e economia. E, desta forma, transformá-las em porta de acesso dos pacientes ao sistema de atendimento.

Precisamos manter os olhos muito abertos a tudo que ocorre em outros países. Aproveitar as boas experiências, adaptando-as às nossas necessidades e peculiaridades.

Não podemos deixar de lembrar aos novos gestores da Saúde Pública em nosso país que, entre tantas injustiças, o setor laboratorial é um dos mais prejudicados. O Laboratório de Análises Clínicas, instituição que garante auxílio aos Clínicos em 70% das decisões diagnósticas e 90% das decisões de alta hospitalar ou cura de enfermidades, está exatamente há 23 anos e 8 meses sem nenhum tipo de reajuste. Desde maio de 1994 até hoje, o hemograma é remunerado a R$ 4,11 e as dosagens bioquímicas (glicemia como exemplo) a R$ 1,85. Enquanto dirigente da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas
– SBAC, visitei todos os Ministros da Saúde, de Serra a Chioro. Sob as mais estapafúrdias e incongruentes alegações, que nesse momento nem devem ser explicitadas, nunca foram logrados êxitos, muito menos alguma resposta que demonstrasse algum rasgo de sensibilidade.

As informações contidas nos laudos laboratoriais ficam infinitamente acima da relação custo benefício.

Creiam, Senhor Ministro e equipe, o setor corre riscos e necessita, com urgência, de uma atitude de compreensão.