Prevenção de novas pandemias e paralização de surtos antes do caos


As dores, muitas vezes, também trazem aprendizados e é inegável que a Covid-19 já nos ensinou – e continua nos ensinando – muito. Além de pressionar todo o setor de saúde, impor rápidas tomadas de decisão e exigir ainda mais das plataformas de inovação, uma crise como essa que estamos vivenciando deixa um legado importante: a criação de novas estratégias para prevenir, detectar e conter rapidamente potenciais pandemias futuras.

Pensando na prevenção e considerando dados relevantes compartilhados em artigo do The Lancet que afirmam que muitos dos patógenos humanos têm origem na fauna – segundo o estudo, aproximadamente 80% dos vírus e 50% das bactérias que infectam o homem são zoonóticos – observar constantemente e de muito perto essas relações interespécies deve ser uma regra. Principalmente em um cenário de ampla urbanização seguida por mudanças climáticas e devastação ambiental.

Importante enfatizar que o incrível avanço do diagnóstico molecular ao longo das últimas décadas tem possibilitado a descoberta de patógenos até então desconhecidos na natureza, além de garantir maior agilidade na detecção de doenças infecciosas. Foi, inclusive, uma metodologia diagnóstica molecular a responsável pela identificação do primeiro coronavírus SARS.

Para esse controle mais firme, o mundo precisa se unir rumo a um sistema global de monitoramento. Outro artigo, dessa vez publicado pelo The British Medical Journal e assinado por especialistas em prevenção de doenças, destaca essa necessidade e coloca, como um dos primeiros passos, a aplicação das mais recentes tecnologias diagnósticas – como métodos multiplex e sequenciamento genético de nova geração, cujos custos vêm caindo com a evolução da técnica – para detecção precoce e em tempo real de qualquer possibilidade de migração de patógenos potencialmente pandêmicos entre as espécies.

Saindo do âmbito da prevenção – caso novos vírus e bactérias consigam vencer as barreiras naturais representadas pelo sistema imunológico e as outras barreiras já testadas na pandemia de Covid-19 –, a medicina diagnóstica segue fortalecendo uma derradeira barreira com a implementação da rápida testagem para confirmação de diagnósticos, identificação dos infectados, direcionamento aos tratamentos existentes e bloqueio da cadeia de transmissão.

Ainda no primeiro trimestre de 2020, quando a pandemia estava começando a se espalhar pelo globo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que “testar, testar e testar” era o melhor caminho para conter o SARS-CoV-2. Porém, o mundo não estava tão preparado para essa demanda crescente. Mas nosso papel é impedir que a história se repita.

Assim como fomos capazes de desenvolver rapidamente kits de testes para Covid-19 e mês a mês criamos metodologias para auxiliar nesse diagnóstico, caso uma nova pandemia venha a se instalar, já temos histórico, conhecimento e expertise para tornar esse cenário ainda mais otimizado e pronto para vencer qualquer patógeno.

Por fim, como prevenir as próximas pandemias que devem nos afetar ainda nesse século? Aplicando todo o conhecimento adquirido nos últimos meses; investindo em prevenção, na medicina diagnóstica e em pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias em saúde; e fortalecendo o acesso aos testes para que a testagem em massa seja uma realidade cada vez mais presente. Nunca é cedo demais para se preparar para uma nova crise. Nunca é tarde demais para absorver os aprendizados da crise passada. 

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