The Sound of Silence (O Som do Silêncio)


Esse é o título de uma das mais belas canções que fazem parte da trilha sonora do filme “A Primeira Noite de Um Homem”(“Graduate”) de 1968. Trata-se de um “folk rock”, música folclórica adaptada ao ritmo do rock. Como a maior parte das músicas folclóricas essa é impregnada de cultura popular, as quais nos atraem de imediato.

Na época do filme eu, universitária em Ribeirão Preto, assistia a quase todos bons filmes e me apaixonava, também, por suas músicas. Assim aconteceu com “The Sound of Silence” (O Som do Silêncio). Teria o silêncio sons? Teria o silêncio o poder de mudar situações? Creio que sim, porque muitas vezes o silêncio é mais contundente que um discurso, sem propósito:
Existem muitos silêncios:
Silêncio da noite.
Silêncio do pecador.
Silêncio da impunidade.
Silêncio da injustiça.
Silêncio da dor.
Silêncio da morte.

São silêncios que falam muito mais, que simples palavras, são silêncios mais terríveis que o grito. Parece que um punhal atravessa nossa garganta e nos impede de falar, de gritar! Deve ter sido isso o que aconteceu com nossos irmãos brasileiros e conosco, quando ocorreram, em nosso país tragédias terríveis que mataram centenas de pessoas, destruíram boa parte da Natureza e parte importante de nossa História.

Vamos enumerar algumas dessas tragédias:
- 13/01/2011 – Desabamento na Região Serrana, do Rio de Janeiro,
- 27/01/2013 – Incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria,
- 05/11/2015 – Rompimento da Barragem de Mariana,
- 01/05/2018 – Desabamento no Largo de Paiçandu, em SP,
- 02/09/2018 – Incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro,
- 25/01/2019 – Rompimento da Barragem em Brumadinho,
- 08/02/2019 – Incêndio no Alojamento do Flamengo, no Rio de Janeiro. Dez adolescentes mortos.

São tragédias anunciadas, que poderiam ser evitadas se fossem tomadas medidas de prevenção, se houvesse fiscalização adequada e honesta. Imprudência, indignação. O grito precisa, nesse momento, sair de nossa garganta, ou seja, precisamos reagir com urgência e com seriedade.

Para que não vejamos outros pais ou outras mães dizendo:
“Estou esperando meu filho sair do barro” (palavras de um pai após a tragédia de Brumadinho)

Fevereiro 2019