Uma revolução tecnológica que mudará o cenário para pacientes, médicos, e empresas de saúde

IRINEU GRINBERG, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Analises Clínicas, e MARCELO BOTELHO, CEO da VEUS falam da INTEROPERAS, a Associação de Interoperabilidade, que promete uma imensa revolução no relacionamento entre pacientes, médicos e empresas de saúde. Eles já estão, inclusive, estendendo o projeto para outros países da América Latina, México e Portugal


LABORNEWS - O que motivou a criação da INTEROPERAS?

IRINEU GRINBERG, ex-presidente da SBAC - Os gastos em dinheiro, retrabalho e tempo precioso são abundantes nos atendimentos, standartizados há um bom tempo (repetição de consultas, exames, baixas hospitalares, tratamentos e eventualmente, até de cirurgias). Se existisse um sistema montado onde os exames de toda a natureza, histórico hospitalar, ficha clínica, resumo das consultas em todas as especialidades médicas, estivessem disponíveis num dispositivo portado pelo paciente com todo o seu passado de saúde estaria disponível de forma instantânea. Com a autorização do cliente (LGPD) bastará acessá-lo. Isso acontece de maneira frequente em casos de troca de médico ou de operadora. Os diagnósticos serão muito mais rápidos e objetivos. Certamente a um custo muito menor, tanto para as operadoras como ao SUS. Poderemos obter planos de saúde mais em conta, com muito mais objetividade e resolutividade. Certamente poderão surgir novos convênios e planos de saúde mais econômicos e ao alcance mais adequado a uma parte significativa da população, e com cobertura bem maior nos atendimentos.

LABORNEWS - Qual impacto para pacientes e médicos?

MARCELO BOTELHO, CEO VEUS - O que é possível impactar na vida do paciente e do profissional de saúde tendo o histórico e todas as informações é fantástico! E bem positiva, por que hoje temos uma situação negativa, um sofrimento, por que o próprio paciente não tem acesso nem ao compartilhamento de informações de seus dados.

E falando da tecnologia, usando uma palavra complicada, interoperabilidade, mas que muda muito essa dinâmica. Estamos falando em permitir que o acesso àquilo que lhe é de direito, sua informação em saúde, possa acontecer de uma forma muito simples. Que forma simples é essa? Que impacta nas realidades dos pacientes e dos médicos . Um exemplo é a novidade do pix, uma operação bancaria que hoje tem um volume maior do que TED e DOC, em pouquíssimo tempo, por que o pix trouxe para o correntista uma facilidade que não era oferecida pelos bancos. Estamos propondo algo similar. A partir de um QRCode, de uma forma muito simples, pacientes e profissionais de saúde possam ter acesso a informações, de várias bandeiras, de várias operadoras e de vários prestadores, através de seu celular ou computador.

Os recursos são simples e já existem. 

Vamos imaginar um cenário em que o paciente acessa o hospital, consultório médico, farmácia, apresente seu celular e com a sua autorização, ele consente que os profissionais envolvidos no atendimento acessem suas informações, seus histórico e exames, de forma instantânea, segura e,, principalmente fácil. O nome disso é interoperabilidade. Essa é a grande transformação que acreditamos que o mercado deva obter. Estamos observando, felizmente, esse movimento agora no mercado financeiro mais uma vez. Num primeiro momento, foi criado o autoatendimento e agora as transações são feitas pelo pix, que é multi-bandeira, multi-marca, muilti-tudo. Porque, do que fazer um TED ou um DOC.?

A interoperabilidade busca a mesma coisa: em vez de carregar uma pasta com muitos exames e documentos de saúde, a pessoa poderá levar todas as informações de forma simples para um hospital ou uma farmácia. O que estamos propondo é uma Associação para a interoperabilidade na saúde, que chamamos de INTEROPERAS. É uma associação sem fins lucrativos, de pessoas do segmento de saúde (médicos, biólogos, farmacêuticos, biomédicos, profissionais de T.I., professores, alunos universitários, cientistas), promovendo o uso da interoperabilidade como um bem maior para a sociedade. Nosso objetivo maior é facilitar essas operações para o paciente e para o profissional da saúde. E acreditamos que essa ação poderá trazer para todos uma mudança realmente significativa! 

Trata-se de um projeto ambicioso, que terá um impacto muito grande inclusive na questão econômica, pois vai propiciar uma racionalização de procedimentos, e com isso serão possíveis as ofertas de mais e melhores procedimentos para a sociedade, podendo garantir, de modo óbvio um nível qualitativo muito mais alto para todo o sistema. 

Temos que pensar no setor público, quando o paciente acessa uma unidade de saúde do SUS, onde seus dados pretéritos estão todos arquivados, não importando a cidade, estado ou região. Difícil mensurar, quanto isso vai representar em agilidade, economia e segurança.

E a palavra chave é interoperabilidade, pois o hospital, serviços auxiliares de diagnóstico, os médicos terão as informações intercambiadas. E ela deve beneficiar o paciente de modo rápido e consentido, e sem barreiras. Hoje isto não ocorre.

Entendemos, também, que não existem barreiras tecnológicas. Não é possível concordar com os que assim enxergam. Existe tecnologia disponível, mesmo não sendo simples ou muito fácil. Estamos vendo o pix que esta mudando a realidade de mais de 200 milhões de pessoas. 

Não estamos objetivando dinheiro com a operação que propomos, e sim algo melhor: tempo, vida com qualidade. É por isso que enxergo na interoperabilidade um impacto muito, muito importante. 

Desta forma, assim nasceu a INTEROPERAS. A partir da reunião de pessoas, tivemos apoios muito importantes, incondicionais e institucionais. A Sociedade Brasileira de Análises Clínicas-SBAC foi fundamental para propiciar que esse projeto pudesse ir à frente.

Realizamos um lançamento muito exitoso e importante, e agora estamos divulgando essa proposta para que mais pessoas sejam sensibilizadas. Nosso interesse é que provedores, governo, prestadores e público em geral, possam vir conosco nesse projeto de interoperabilidade. E estamos fazendo isso num momento oportuno, onde o mundo, quase à base de fórceps, torna-se digital. Pensamos que na pandemia e na pós-pandemia o cenário digital continuará muito forte, e casa de, forma perfeita, com todas as ações de interoperabilidade. Outro ponto decisivo e avassalador é cada vez mais, informações de nossa saúde estarão, de forma segura disponíveis a quem necessita fazer o diagnóstico e promover as soluções terapêuticas. . Portanto, a realidade teria de mudar, e exigir que a informação sobre a saúde do paciente seja acessível e compartilhada. 

Estamos trabalhando com padronizações: RNDS LGPD, GDPR (legislação europeia de dados), que proporcionarão o barramento orgânico, plural, inserido, inclusivo e assertivo para que todos os atores credenciados possam ter acesso. Acessar não será fácil, mas o primeiro passo está concretizado.

A INTEROPERAS se encaixou nesse cenário. E como foi referido, a associação não tem finalidades lucrativas. Sua missão é fomentar seu crescimento, ser abraçada pela sociedade, como um todo para poder levar seus benefícios à toda Sociedade. 

 

Texto: Andrea Penna

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