Microalbuminúria como marcador preditivo de dano renal e cardiovascular


Originalmente, o conceito de microalbuminúria estava relacionado à detecção de lesão renal precoce em pacientes diabéticos, denominada nefropatia incipiente. O termo microalbuminúria não reflete a medida de uma albumina de menor tamanho, mas é uma maneira de se referir a uma certa faixa de concentração de albumina na urina. A presença de albumina na urina é um fenômeno normal em todos os indivíduos, CORESH et al sugerem que a relação de albumina/creatinina na urina seja reportada em miligramas por grama. Albuminúria é definida quando essa taxa apresenta valores de 30 mg/g ou maiores, e se classifica em microalbuminúria (30 mg/g até 299 mg/g) e macroalbuminúria (valores maiores de 300 mg/g). Os estágios iniciais da doença renal crônica são definidos com base na combinação do dano renal (frequentemente monitorado pela dosagem de albuminúria) com a diminuição da função renal (quantificada pela determinação da taxa de filtração glomerular, estimada a partir da concentração urinária e sérica de creatinina).¹

Em adultos a microalbuminúria está geralmente relacionada à hipertensão arterial e outros fatores de risco cardiovascular, como obesidade e diabetes. Nos diabéticos, está associada a nefropatias e hipertensão. CHILLARÓN et al verificaram que um em cada cinco pacientes portadores de diabetes mellitus tipo 1, após aproximadamente 15 anos apresentou albuminúria, que pode estar relacionada ao tempo de evolução da doença, à trigliceridemia, ao tabagismo e à hipertensão arterial. ²

GUTIÉRREZ RODRÍGUEZ et al destacam que normalmente apenas moléculas de baixo peso molecular são eliminadas na urina, as maiores são retidas pela barreira glomerular. Se por alguma causa estes processos forem alterados as moléculas de tamanho maior, como a albumina, atingem a bexiga urinária. A presença de albuminúria foi reconhecida como um sinal adverso no prognóstico da doença renal. No estudo, informam que pacientes que apresentam albuminúria mais alta desenvolvem cicatrizes tubulointersticiais e evoluem para insuficiência renal crônica. Embora a albumina geralmente tenha ação antioxidante no túbulo, quando sua concentração aumenta, acarreta dano às células expostas. Além disso, a progressão da perda da função renal pode ser resultado de alterações hemodinâmicas compensatórias à nível glomerular, principalmente hipertensão e hiperfiltração glomerular dos néfrons remanescentes. ³

ALONSO et al desenvolveram um estudo apresentando a importância do monitoramento da microalbuminúria como marcador de risco cardiovascular utilizando amostras colhidas na primeira urina da manhã, repetindo o teste após 3 e 6 meses. Assim, classificam a microabuminúria em: intermitente, a que se verifica ocasionalmente; e, persistente, a que se apresenta em pelo menos duas das três determinações. Também é necessário considerar que os níveis de excreção de albumina na urina, dentre outros fatores, podem ser modificados por exercício intenso, presença de infecção urinária, uso de antiinflamatórios não esteroidais e gravidez. Os autores consideram que a microalbuminúria tem se mostrado como um dos marcadores de lesão orgânica de maior utilidade, devido à sua sensibilidade, fácil realização e baixo custo permitindo monitorar a terapêutica escolhida e transformando-a em um marcador de risco. 4

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Referências:

1. CORESH Josef et. al. Prevalence of Chronic Kidney Disease in the United States. JAMA. 298(17):2038- 2047;2007.
2. CHILLARÓN Juan J. et. al. Prevalencia y factores asociados con la presencia de albuminuria y sus estadios en los pacientes con diabetes mellitus tipo 1. Nefrologia.33(2):231-6;2013.
3. GUTIÉRREZ RODRÍGUEZ, D.R. et. al. Microalbuminuria. Factor de riesgo renal y cardiovascular. NEFROLOGÍA. Volumen 26. Número 5. 2006.
4. ALONSO, Yudeynis Marisol Díaz et. al. Microalbuminuria como marcador de riesgo cardiovascular en pacientes hipertensos. Rev. Arch Med Camagüey. Vol20(6);2016.


Enrique Juan Brown
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