Fungal diseases; Bacterial and fungal infections in COVID-19 patients: A matter of concern, 2020, Infection Control and Hospital Epidemiology


Texto fundamentado em artigo publicado: Centers for Disease Control and Prevention, 2021, Fungal diseases; e Bacterial and fungal infections in COVID-19 patients: A matter of concern, 2020, Infection Control and Hospital Epidemiology.

O texto ressalta a importância das coinfecções e infecções secundárias causadas por fungos e bactérias em pacientes com a COVID-19. São poucos os trabalhos publicados sobre este tema, embora, esses patógenos estejam muito presentes em infecções pulmonares. O texto alerta para o risco de óbitos em decorrências dessas infecções e como proceder para um diagnóstico e tratamento mais efetivo. 

Um evento que hoje está causando doenças e mortes no mundo todo é a pandemia da COVID-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2 (Severe Acute Respiratory Syndrome CoronaVirus-2), que vem tendo um lugar majoritário no número de mortes no mundo. Esta doença teve sua primeira detecção na China, por volta de agosto/2019, e com documentação de casos confirmados em abril /2020 de 896.450 infectados. Hoje ela atinge, segundo a Organização Mundial da Saúde, 119.960.700 infectados e 2.656.822 mortes em 223 países (Dados coletados 17/03/2021- WHO). 

O Sistema pulmonar tem sido o órgão alvo na grande maioria dos afetados, órgão que antes desta pandemia era a 3ª causa de mortalidade na população mundial, levando a este fim quase 4 milhões anualmente (WHO, 2017, The Global Impact of Respiratory Disease). Em vista da fragilidade dos pulmões frente às infecções, pouca atenção tem sido dada a infecções secundárias ou coinfecções fúngicas ou bacterianas em pacientes acometidos pelo SARS-CoV-2. Na literatura os resultados de trabalhos da Covid-19 com infecções secundárias e/ ou coinfecções por bactéria somam apenas 241 e por fungos 58; sendo só para infecção por COVID-19 - 82.507 publicações. Em contrapartida, na pandemia de 2009 com o vírus H1N1, 1 de 4 pacientes estavam infectados também por fungos ou bactérias. Muitos dos sintomas de pneumonias causadas por fungo ou bactérias são similares a da COVID-19, como febre, tosse e dificuldade na respiração. Pacientes com possível infecção por COVID-19, que apresentam resultado do teste negativo, são tratados como infecção viral, não há a preocupação médica em aplicar um tratamento alternativo para infecções por fungos ou bactérias. E mesmo pacientes com a COVID-19 positivos podem estar com coinfecções fúngicas e bacterianas sem o devido tratamento. Exames laboratoriais são de extrema importância no diagnóstico, pois o paciente pode ter uma infecção por fungo e ser tratado por infecção viral, ou pior, ter os dois agentes infecciosos e ser tratado só contra o viral.

As coinfecções ou infecções secundárias por fungos em pacientes com a COVID-19 mais comuns são as aspergiloses ou candidíases. A detecção de aspergilose (causada pelo fungo Aspergillus spp), é mais comum em pacientes imunodeprimidos e com anemia, entretanto, muitos dos casos de aspergilose têm sido relatados em pacientes com infecção viral, como a influenza. No caso de infecção pelo vírus SARSCoV-2, há relatos na literatura de este estar associado a aspergilose pulmonar, denominada pela sigla CAPA - COVID-19-associated pulmonary aspergillosis. Seria indispensável um teste para CAPA para a complementação do diagnóstico para pacientes com piora na função pulmonar e sepsia, sendo este teste sorológico e de cultura de fungos, muito diferente do aplicado para a COVID-19. 

A Candidíase invasiva é causada pela fungo Candida auris e atualmente é um forte causador de infecções graves em hospitais e UTIs. Estes surtos, documentados principalmente nos Estados Unidos, podem ser devido à grande demanda de materiais de controle de infecções requerido pela COVID-19, como luvas e aventais, que são reutilizadas para outros tratamentos; e o método de limpeza e desinfecção não observados no tratamento de pacientes acometidos por infecções fúngicas. 

Devido ao quadro pandêmico instalado no mundo, com sérias medidas restritivas em quase todos os países, pacientes apresentando sintomas semelhantes aos da COVID-19, serão a priori tratados como infecção por SARS-CoV-2; e os exames microbiológicos para infecções fúngicas ou bacterianas, especialmente a cultura de escarro, poderia agregar grande valor ao diagnóstico. No entanto, esta abordagem poderá representar riscos significativos para os profissionais da saúde que coletam e processam estas amostras, estes estarão muito expostos ao vírus. Isto porque não há um protocolo de proteção individual para estes profissionais que trabalham com amostras fúngicas e bacterianas, recomendado pela China ou pela WHO. De posse de dados: epidemiologia (por exemplo, locais de infecção, taxas de incidência, características epidêmicas, fatores de risco, etc.) e da determinação dos patógenos e sensibilidade a drogas, forneceria evidências teóricas e factuais para um tratamento mais efetivo e uma estratégia de prevenção e controle de complicações pulmonares.

Os dados clínicos sobre infecções bacterianas e fúngicas são valiosos para orientar o tratamento baseado em evidências de COVID-19. Portanto, cabe ressaltar o estímulo à investigação de infecções secundárias ou coinfecções em pacientes com COVID-19, sem colocar em risco a segurança da equipe de laboratório. Autoridades de saúde e organizações acadêmicas terão que trabalhar juntas com esta finalidade também, pois só a vacina não garante a diminuição de infectados e mortes, já que o SARSCoV-2 se mostrou muito mais suscetível a mutações que os seus antecessores. Além disso, normas de biossegurança para laboratórios microbiológicos que trabalhem com amostras suspeitas, de pacientes com a COVID-19, deverão ser estabelecidas; e diretrizes de proteção pessoal para a equipe dos laboratórios microbiológicos, incluindo transporte e recepção de amostras, devem ser rigorosamente seguidas. A qualificação de médicos, enfermeiros e pessoal de apoio deverá ser constantemente revisada com cursos e palestras, com o intuito de manter sempre em alerta esta faixa da população que está diretamente em contato não só com o SARS-CoV-2 bem como com as infecções fúngicas e bacterianas, que não são menos preocupantes quando em associação com a Covid-19.

Referências: Serão fornecidas, quando solicitadas. 

Traduzido, livremente, por Regina Affonso

 

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