Hiperglicemia e Glicocorticoides


A hiperglicemia é decorrente de uma resposta hormonal e inflamatória ao estresse, causando aumento da produção hepática de glicose e da resistência à insulina com consequente piora da função da célula beta, levando a distúrbios hidroeletrolíticos, disfunção dos neutrófilos e do endotélio, aumento do estresse oxidativo e da inflamação sistêmica.1 O Diabetes Mellitus tipo 2 é uma doença causada pela redução da secreção ou deficiência da ação da insulina, estando geralmente relacionada a fatores que aumentam a resistência insulínica, tais como, sedentarismo, alimentação rica em carboidrato e gorduras e, excesso de peso. Ela eleva o risco de eventos cardiovasculares, de doenças renais terminais, amauroses, neuropatias periféricas e ulcerações nos membros inferiores, sendo uma das principais causas de mortes prematuras.

Os glicocorticoides são hormônios naturais produzidos pelo organismo humano, pertencentes a um grupo de esteroides secretados no córtex adrenal, conhecidos como cortisol, que atuam sobre receptores específicos do hipotálamo e hipófise. Em situações de estresse ocorre a ativação da secreção adrenal, provocando o aumento dos níveis de cortisol no sangue, que desencadeia o ajuste homeostático incluindo a liberação de carboidratos e da glicose, efeitos sobre a hemodinâmica e o balanço de fluídos e efeitos anti-inflamatórios. A liberação de glicocorticoides em excesso no estresse crônico leva à estimulação da glicose-6-fosfatase, promovendo maior liberação de glicose das células pancreáticas para a corrente sanguínea, favorecendo a hiperglicemia e a resistência dos tecidos à ação da insulina.

Os corticosteroides podem ser sintetizados e utilizados com eficácia na terapêutica antiinflamatória e imunossoupressora, indicados para diferentes doenças de origem inflamatória ou alérgica: problemas respiratórios, dermatológicos, endócrinos, neoplásicos, osteomusculares, transplantes e doenças autoimunes. No entanto, efeitos colaterais, decorrentes de sua ação metabólica, estão associados com o uso contínuo destes medicamentos, como hipertensão, dislipidemias, osteoporose e a hiperglicemia que pode levar ao desenvolvimento de diabetes mellitus em indivíduos predispostos.3 A ocorrência de hiperglicemia se dá pelo aumento da gliconeogênese hepática e do antagonismo periférico à ação da insulina, que causam redução da captação de glicose no músculo e tecido gorduroso. A hiperglicemia pode então induzir o aparecimento de diabetes, estando relacionada com a dose e a duração do tratamento, sendo, na maioria das vezes, reversível com a parada da administração dos glicocorticoides. No entanto, indivíduos com predisposição genética podem permanecer diabéticos.

Um monitoramento constante deve existir para estes pacientes de modo a se obter um diagnóstico precoce e tratamento adequado. Os pesquisadores reforçam que os corticosteroides são fármacos que possuem elevado potencial de morbi-mortalidade se utilizados de forma inadequada, sendo muito importante a atitude dos profissionais na utilização destes medicamentos pelo menor tempo possível, na oferta de uma terapêutica alternativa menos danosa, na associação com outros medicamentos que diminua a dose necessária ou esquemas de dias alternados, de modo a reduzir os efeitos colaterais.

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