Pesquisa de sangue oculto nas fezes


O câncer colorretal é o quinto câncer mais diagnosticado no Brasil, e no sudeste do país ocupa o segundo lugar, sendo a quarta causa mais importante de mortes por câncer no país. 1 O câncer de cólon e reto é uma doença multifatorial influenciada por fatores genéticos, ambientais e relacionados ao estilo de vida. Os fatores hereditários, como o histórico familiar de câncer de cólon e reto e as doenças inflamatórias do intestino, representam apenas uma pequena proporção da variação observada na carga global da doença. Nesse sentido, as diferenças geográficas observadas na incidência possivelmente refletem a adoção de hábitos de vida ocidentais.

É evidente a ocorrência de uma transição nutricional, em todo o mundo, que afeta principalmente os países em desenvolvimento. Assim, os fatores de risco ligados ao estilo de vida são modificáveis e incluem: o consumo de bebidas alcoólicas, a baixa ingestão de frutas e vegetais, o alto consumo de carnes vermelhas e de alimentos processados, a obesidade, o tabagismo e a inatividade física. 2A Sociedade Brasileira de Coloproctologia juntamente com o Instituto Nacional de Câncer, o Colégio Brasileiro dos Cirurgiões e outras sociedades médicas recomendam que indivíduos de baixo risco, a partir de 50 anos, realizem, anualmente, a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a retossigmoidoscopia, repetindo-a a cada cinco anos.

A partir dos 60 anos, está indicada a colonoscopia ou o enema opaco a cada 10 anos. A Sociedade Americana de Coloproctologia, no entanto, recomenda iniciar o rastreamento a partir dos 40 anos e a colonoscopia a partir dos 50 anos. A pesquisa de sangue oculto positiva, implica na realização de colonoscopia. 1 A pesquisa de sangue oculto (PSO ou FOB – Fecal Occult Blood) nas fezes surgiu como alternativa para o rastreamento do câncer colorretal em pacientes sem fatores de risco. Este teste se sustenta no princípio de que os carcinomas do cólon sangram e que esta hemorragia oculta pode ser identificada pela FOB, que é um exame facilmente disponível.

A pesquisa de sangue oculto consiste na identificação de hemoglobina nas fezes.1 Embora a colonoscopia seja o exame padrão ouro para o diagnóstico, considerando o baixo custo da pesquisa de sangue oculto nas fezes e o fato do exame não ser invasivo, este método pode ser tido como bom para o rastreamento do câncer colorretal. O uso do FOB em indicações absolutas da colonoscopia é desnecessário, como por exemplo em pacientes com sangramento intermitente nos quais as doenças orificiais estejam ausentes, ou pacientes com antecedentes familiares de primeiro grau com câncer colorretal, porém o FOB pode ser solicitada como exame preventivo a partir de 40 anos em pacientes assintomáticos e sem risco para o câncer colorretal, ou mesmo em populações aonde o exame da colonoscopia é inviável.

2 Os testes do FOB imunológicos, por não necessitarem de dieta prévia e serem específicos para a hemoglobina humana, são citados na literatura como os de melhor sensibilidade (75%) e especificidade (40 a 50%). 3 A Biotécnica disponibiliza de teste Imunocromatográfico em membrana de nitrocelulose com apresentações de 20 e 40 determinações. A hemoglobina humana presente na amostra se liga a um anticorpo conjugado com ouro coloidal e migra pela membrana por capilaridade até a região teste que contém anticorpos anti-hemoglobina humana formando uma faixa colorida.
 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
1. ALTENBURG, Francisco Luis; BIONDO-SIMOES, Maria de Lourdes 
Pessole; SANTIAGO, Aline. Pesquisa de sangue oculto nas fezes e correlação com alterações nas colonoscopias. Rev bras. colo-proctol., Rio de Janeiro, v. 27, n. 3, p. 304-309, Sept. 2007

2. Estimativa 2018: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância. – Rio de Janeiro: INCA, 2017.

3. JATOBA, Miriam Piratininga et al. Pesquisa de sangue oculto nas fezes e achado colonoscópico em 60 pacientes. Rev bras. colo-proctol., Rio de Janeiro, v. 28, n. 4, p. 425-430, Dec. 2008. 

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