A Biossegurança e o Laboratório na Pandemia

No SBAC DIGITAL, a Profa. Dra. Fla?via Martinello analisou vários aspectos sobre a segurança nos laboratórios durante a pandemia, apresentou dados e tirou dúvidas dos internautas. O SBAC DIGITAL recomeça em setembro com outras palestras. Veja abaixo o resumo da palestra e assista a Profa. Dra. Fla?via Martinello em vídeo exclusivo para a Labornews (assista em: www.youtube.com/watch?v=_lyp4i4qxGQ).


Flávia Martinello iniciou fazendo um balanço do período, quando, na emergência do novo coronavírus, (SARS-CoV-2), "os laboratórios necessitaram se adequar, na mesma velocidade da pandemia, para atender com segurança à crescente demanda pelos testes diagnósticos. Devido à alta transmissibilidade da COVID-19, a equipe do laboratório enfrenta incertezas e receio de contrair a doença”. Ela discorreu sobre as práticas de biossegurança e acentuou que essas dependem da avaliação de risco de cada laboratório.

Para os níveis de biossegurança, no caso do SARS-CoV-2, Flávia Martinello explicou que os "testes laboratoriais de rotina, manipulação de vírus lisados, fixados, partes não infecciosas do genoma, embalo de amostras biológicas e outras atividades não-propagativas (por exemplo, sequenciamento, teste de amplificação de ácidos nucleicos) requerem NB2 e processados em cabine se segurança biológica utilizando as precauções padrão”. Ela explicou ainda, que "as atividades consideradas propagativas, como culturas virais, isolamento viral ou testes de neutralização devem ser realizadas em um laboratório de contenção com fluxo de ar direcional (pressão negativa de ar) equivalente a NB3.

Sobre as barreiras de contenção, ela enfatizou a importância, qualidade e uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs): "para ser considerado EPI, o dispositivo deve ter o Certificado de Aprovação (CA) expedido pelo órgão nacional competente para que se possa responsabilizar legalmente o fabricante, caso este apresente alguma falha. A eficácia dos EPI depende do manuseio adequado, treinamento para colocação e retirada, prática de higiene das mãos e comportamento humano, o qual pode representar um risco até maior do que o próprio agente biológico”.


Para a higienização do laboratório, Flávia Martinello esclareceu que "o SARS-CoV-2 pode permanecer viável por horas e até dias em determinadas superfícies, dependendo do tipo de material”, e que a limpeza de objetos e superfícies, seguida de desinfecção, são recomendadas para a prevenção da COVID-19 em ambientes comunitários. Ela abordou também a descontaminação, como o processo que remove ou elimina totalmente os microrganismos e aprofundou técnicas e substancias para limpeza, desinfecção e esterilização (veja no vídeo).

Ainda sobre a Higienização do laboratório, ela detalhou que os processos de descontaminação de bancadas de trabalho, instrumentos e superfícies frequentemente tocadas no laboratório como maçanetas, refrigeradores, freezers, telefones, telas sensíveis ao toque, teclados, mouse, etc. devem ser realizada no mínimo 1 vez ao dia, sendo que na pandemia, deve ser mais frequente, a cada 3 h ou quando houver qualquer derramamento. E para limpeza, o correto é o uso de Álcool 70%, glutaraldeído a 2% ou hipoclorito de sódio com concentração de cloro 0,05% (500 ppm).

Como medidas de biossegurança ela sugere: distanciamento social dentro do laboratório, separar os profissionais em 2 equipes (escala de trabalho de 12 X 36 hs, estações de trabalho espaçadas, a equipe que avalia/valida os resultados, que avalia o controle da qualidade ou realiza tarefas mais administrativas devem ser removidas do espaço do laboratório e fazer o trabalho em um espaço de escritório ou remotamente, escalonar o uso dos espaços de refeição, atentar para a educação continuada e treinamentos realizados de forma remota, não esquecer da política de imunização contra a gripe. Ela ainda recomenda manter as janelas e portas de acesso sempre abertas. “Caso seja necessário permanecer com ar-condicionado ligado, deve-se ter atenção especial à limpeza dos filtros e ao direcionamento do fluxo de ar.Quando necessário o uso de crachás para acesso, orientar os colaboradores sobre a higienização destes e sobre o não uso de cordões; Tornar de uso individual objetos como caneta, lápis, calendário, etc”.

Biossegurança na fase pré-analítica

A biossegurança na fase pré-analítica mereceu especial capítulo na palestra. Ela discorreu sobre os cuidados na coleta de amostras, quando o local de coleta de amostras de pacientes clinicamente suspeitos ou confirmados com infecção por SARS- CoV-2, deve ser individual e possuir sistema de exaustão de ar. "Se não for possível, manter o ambiente bem ventilado, e após a coleta, é fundamental desinfetar as superfícies e deixar o ambiente vago por 30 minutos. Durante a coleta, evitar a entrada e saída de outras pessoas na sala.

Ela enfatizou que praticamente quase todas as atividades laboratoriais geram aerossóis como abertura manual de tubos, pipetagem, agitação em vórtex, extração e centrifugação. E que “ idealmente, o processamento inicial (antes da inativação) de todas as amostras, inclusive aquelas para sequenciamento e amplificação, devem ocorrer em uma CSB classe II validada". E se a amostra for aberta fora da CSB, usar máscara N95”.

Ela ainda recomenda que "as amostras sejam colocadas a 56° C por 30 minutos para inativar o vírus antes de abrir o recipiente da amostra, que as amostras submetidas à extração ou inativação de ácido nucleico na CSB podem ser manuseadas fora da CSB, e que Todos os procedimentos técnicos devem ser realizados de modo a minimizar a geração de aerossóis e gotículas, principalmente com a utilização de centrífugas”.

Nas considerac?o?es finais ela concluiu que “a pandemia trouxe a? tona boas pra?ticas cla?ssicas que estavam esquecidas na?o so? pela populac?a?o em geral, mas tambe?m pelos profissionais de laborato?rio, como a higienizac?a?o das ma?os, a etiqueta respirato?ria e a forma correta de paramentac?a?o e desparamentac?a?o dos EPIs”, e que “a capacidade resiliente dos laborato?rios e a adoc?a?o das boas pra?ticas que foram destacadas aqui podera?o minimizar o risco de infecc?a?o por SARS- CoV-2 entre os profissionais dos laborato?rios cli?nicos”.

Por Andrea Penna

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