ABIMED - Criar condições para que vivam a saúde e não a doença


Criar um ambiente no qual a tecnologia ajude as pessoas a serem escutadas, tenham dúvidas solucionadas, seja como um cuidador que as ajude a integrar tratamentos em sua rotina e a viver a saúde, e não a doença, estão entre os requisitos mais importantes para propiciar uma boa experiência a pacientes e usuários do sistema de saúde. Esse foi um dos principais pontos de convergência entre os debatedores do painel “A tecnologia no engajamento e experiência do paciente‘’, promovido ontem pela ABIMED (Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde), na Feira Hospitalar.

O evento contou com a participação de Lívia Cunha, CEO e fundadora da startup Cuco Health; Scott Whitaker, CEO da AdvaMed (Associação de Tecnologia Médica Avançada, dos Estados Unidos); Sidney Klajner, presidente da Sociedade Israelita Brasileira Albert Einstein e Waldemir Cambiucci, Diretor do Centro de Tecnologia da Microsoft no Brasil. A mediação foi feita por Rodrigo Alberto Correia da Silva, advogado e professor de política regulatória e defesa da concorrência no MBA da Fundação Getúlio Vargas.

Klajner disse que o Einstein tem investido em canais para melhorar a comunicação entre médicos e pacientes e destacou que recursos como a telemedicina são fundamentais para quebrar barreiras logísticas, promover acesso e entregar a melhor saúde possível. “Estamos a caminho de um processo de desospitalização da saúde. No futuro, usaremos cada vez mais os algoritmos e aparatos tecnológicos para que as pessoas sejam tratadas fora do hospital, inclusive casos cirúrgicos, e que aos hospitais caibam os casos de alta complexidade”, detalhou.

Para Cunha, a tecnologia tem que estar cada vez mais integrada na vida dos pacientes, educando-os de maneira lúdica, ajudando-os a aderir com mais facilidade aos tratamentos e orientando-os em todos os aspectos de sua saúde. “Hoje são as muitas inconveniências existentes na experiência do paciente que estimulam a criação de soluções que o ajudem a ter uma interação mais satisfatória com o sistema de saúde” afirmou. Além disso, disse, a aceitação da tecnologia pelos profissionais de saúde ainda é uma barreira que precisa ser dissolvida, embora eles estejam amadurecendo.

A mudança do papel do paciente em decorrência das transformações digitais requer agilidade e que a indústria, bem como todo o ecossistema da saúde, se antecipem às novas demandas e a um cenário do qual já fazem parte recursos como mobilidade, redes sociais, nuvem inteligente, Big Data e Inteligência Artificial. “Existe ao nosso redor um paciente 4.0 e muitas opções tecnológicas que podem melhorar sua experiência. Mas isso requer que atuais desafios, como o de regulamentar o que já está pronto, sejam solucionados”, ressaltou Cambiucci.

Na avaliação de Whitaker existem quatro pontos determinantes que definirão, no mundo todo, se o desenvolvimento tecnológico, o acesso e o uso da tecnologia serão acelerados ou retardados: a aceitação dos profissionais de saúde; a adesão dos pacientes; a visão do sistema regulatório sobre tecnologia e a posição dos pagadores. “Precisamos juntar essas quatro peças em favor do paciente e dos usuários do sistema para garantir que tenham uma boa experiência de saúde” analisou.