COVID-19 e novos desafios para 2021


Nesta época é comum que façamos retrospectivas sobre os acontecimentos do ano, avaliando as coincidências e as divergências em relação às nossas previsões iniciais, para enfim fazermos um balanço entre erros e acertos. Em 2020, podemos dizer que essa prática tem mostrado diferenças significativas em relações aos anos anteriores: nossas expectativas simplesmente não se cumpriram – em sua quase totalidade!

 

Quem poderia, no final do ano passado, imaginar que teríamos um novo coronavírus para nos assustar, transformando a doença por ele causada numa pandemia? É comum ouvirmos que, havendo recursos financeiros, podemos dominar qualquer pandemia. Então, como explicar que o país mais rico do mundo foi e continua sendo o mais atingido, com o maior número de vítimas pela COVID-19? Quem imaginaria que a comunidade europeia, com a sua cultura sofisticada e milenar, sofresse da forma que sofreu e ainda sofre? Quem pensou que esta pandemia chegaria ao Brasil?

 

Enfim, chegamos ao final de mais um ano, mas não de um ano qualquer: do ano no qual enfrentamos coletivamente sérios prejuízos e vivenciamos uma economia extremamente abalada.

 

É um ano que deixará muitas lições, portanto. E devemos apreendê-las, pois precisaremos colocar em prática essas experiências no futuro próximo – tanto o que não devemos mais fazer quanto o que deveremos passar a fazer.

 

Esta pandemia trouxe e ainda trará muitas mudanças no comportamento das pessoas, das empresas e também dos governos. É perceptível que parte da sociedade passou a agir com maior espírito comunitário, assim como muitos colaboradores tiveram participação mais ativa em busca de alternativas para minimizar nossos prejuízos. 

 

Entendemos que a má fase pela qual passamos não findará com o ano de 2020. Não acreditamos que será tão fácil como alguns imaginam. A vacinação dará um grande passo no controle da doença; no entanto, vários meses serão necessários até que a imunidade da população seja atingida de forma minimamente segura Esta pandemia será vencida. Essa é nossa esperança. A crise sanitária logo ficará reduzida, mas teremos que conviver com a extensão da crise financeira advinda das graves sequelas que atingirão todos os países – alguns mais, outros menos. A recuperação será lenta, mas, ao mesmo tempo, deverá encontrar formas para a correção dos erros que ficaram evidentes nos modelos social e de negócios até então utilizados.

 

Teremos um “novo normal”, que não será igual ao “antigo normal” e tampouco ao “atual normal”. Este novo normal poderá ter a base natural e histórica, mas mudanças deverão existir, agregando ferramentas que farão mudanças significativas decorrentes do aprendizado adquirido com a pandemia de 2020. O grande perigo é que, historicamente, após grandes e graves crises, os grandes se tornam maiores e os pequenos menores, aumentando ainda mais a distância que os separa.

 

Ainda temos muitas dúvidas desafiando o conhecimento científico sobre as doenças infecciosas, especialmente deste vírus, devido ao seu comportamento e à sua resposta imunológica que ocorre diferentemente dos padrões esperados. Relatos mostram que, muitas vezes, a detecção do vírus permanece por um período superior ao esperado, assim como a detecção dos anticorpos. Às vezes antes do esperado e também após um tempo muito superior ao previsto. Tem sido muito comum o aparecimento detectável das frações M e G juntas. Na prática, a resposta imunológica tem sido acompanhada somente pela fração IgG, devido às respostas inconsistentes das frações A e M.

 

Ainda, a ciência promoveu uma verdadeira revolução laboratorial a partir da tecnologia do “DNA recombinante” ou “Engenharia genética”, trazendo para a saúde pública e a sociedade em geral a possibilidade de exames laboratoriais em tempo recorde. 

 

Com um preciosismo extremo, a pesquisa básica nos anos 80 subsidiou a pesquisa aplicada que foi absorvida e consolidada pela indústria farmacêutica – quer na produção de medicamentos (insulina) ou de vacinas (hepatite “B”), quer pelas técnicas laboratoriais para exames (PCR). Na década de 90, em consequência de uma desordem imunológica causada pelo vírus HIV e descrita em 1989 como AIDS, grandes empresas foram levadas a investir em tecnologias laboratoriais para o diagnóstico, causando uma explosão tecnológica laboratorial jamais vivida até então. Ainda nesta década, os primeiros PCR começaram a ser utilizados para detecção do HIV. Em 2016, quando o Brasil foi assolado pela epidemia causada pelo vírus Zica, o sequenciador MinION ajudou na identificação viral.

 

Mas o maior desafio será para os próximos 2 anos, em relação a humanização nas atividades sociais coletivas. Afinal, até que sejam realizados os ensaios pós vacinais para determinar com segurança a eficiência e eficácia da vacina contra a COVID-19, o uso de máscaras e o distanciamento social deixarão marcas emocionais. Ou criarão fobias sociais.

 

Apesar de tudo, nesta época não podemos deixar de pensar no Natal e na entrada de um novo ano, datas tipicamente familiares e festivas, mas que terão que ser comemoradas com muita responsabilidade e com um grande espírito social. Ainda não é hora de confraternizações e agrupamento de pessoas. 

 

Tomará, haverá no futuro muito tempo para isso! UM FELIZ NATAL E UM NOVO ANO PLENO DE ESPERANÇA EM DIAS MELHORES.

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