Dez Coisas Que Você Precisa Saber Sobre Doenças No Fígado

Reconhecer os sintomas e obter diagnóstico precoce melhoram as chances de cura


As vitaminas A, B12, D, E e K, além do cobre e do ferro, não são sintetizadas muito bem se o fígado não estiver saudável.

O fígado é um dos órgãos mais importantes do corpo. Além de filtrar o sangue, ele elimina toxinas e elementos danosos ao organismo advindos dos alimentos ingeridos. Por isso, a saúde entra em risco quando o órgão adoece, já que o processo de filtragem fica comprometido. Nesse cenário, a prevenção das doenças hepáticas e o diagnóstico precoce são as maiores ferramentas para evitar que o fígado seja lesionado. Confira, a seguir, dez fatos importantes sobre as doenças no fígado para tirar qualquer dúvida.

1. Doenças mais frequentes
As doenças mais comuns que atingem o fígado são as hepatites A, B e C, a esteatose hepática (ou gordura no fígado), a hepatopatia alcoólica, o câncer no fígado e a cirrose. Outros exemplos menos frequentes são as doenças que atingem as vias biliares intra-hepáticas e a cirrose biliar primária.
Segundo o dr. Henrique Sérgio Coelho, hepatologista do Hospital São Lucas Copacabana, a patologia hepática mais frequente é a hepatite, que atinge 2 milhões de brasileiros. Entre eles, cerca de 200 mil pessoas podem desenvolver cirrose e 20% desses casos podem evoluir para câncer.

2. Sintomas mais comuns das doenças hepáticas
Geralmente, as doenças no fígado são silenciosas, então, não costumam desenvolver sintomas de fácil percepção pelo paciente. Porém, quando evidentes, tendem a deixar a urina escurecida e o fígado aumentado, além da pele e dos olhos amarelos. Dor na região do abdômen e fezes mais claras do que o comum também são sinais de problema no fígado.

3. Como detectá-las?
Como a maioria das doenças hepáticas não apresenta sintomas expressivos, elas, em geral, são diagnosticadas por meio de exames de rotina, sobretudo o de sangue ou a ultrassonografia. Caso haja suspeita por parte do médico, ele pode solicitar exames específicos para avaliar o órgão.

4. Quem tem mais chances de desenvolver doenças no fígado?
As doenças hepáticas costumam ser desencadeadas por predisposição genética e pela adoção de um estilo de vida pouco saudável. Nesse último caso, as pessoas que consomem bebidas alcoólicas e medicamentos em excesso, são obesas e/ou possuem diabetes, sofrem com hepatite (principalmente os tipos B e C) e têm mais de 40 anos apresentam mais chances de ter problemas no órgão.

5. O que o fígado deixa de fazer quando está doente?
Segundo o dr. Henrique, esse órgão exerce funções vitais para o bom funcionamento do corpo. Quando ele está debilitado, o armazenamento dos nutrientes e de gordura como fonte de energia fica comprometido, assim como a boa filtragem do sangue. Como o fluxo sanguíneo não está sendo filtrado da melhor forma possível, pode haver impurezas e toxinas, que são levadas para todo o corpo.
“As vitaminas A, B12, D, E e K, além do cobre e do ferro, não são sintetizadas muito bem se o fígado não estiver saudável. Os medicamentos tomados também não são metabolizados, podendo sobrecarregar o organismo”, explica o médico. A conversão da amônia em ureia e o armazenamento e a liberação de glicose são outras funções do órgão que param de funcionar com eficácia.

6. Gordura e álcool como ameaças
Ter um estilo de vida pouco saudável, com constante ingestão de bebidas alcoólicas e alimentos gordurosos, muitas vezes, coloca a saúde do fígado em risco. Isso porque, ao longo do tempo, o álcool vai causando lesões silenciosas no órgão, formando cicatrizes e impedindo que ele execute suas funções no organismo. Esse quadro pode evoluir para uma cirrose hepática.
Quando alimentos gordurosos são consumidos em excesso, parte dessa gordura fica acumulada no fígado porque o órgão não consegue metabolizá-la completamente. Nesses casos, o paciente pode desenvolver esteatose hepática, que é o primeiro estágio de patologias mais sérias, como a cirrose hepática não alcoólica.

7. Melhores tratamentos
O tratamento a ser adotado dependerá do tipo da doença e do quanto ela está desenvolvida. Quando identificada em estágio precoce, o uso de medicamentos específicos e uma dieta saudável são o bastante para seu controle, principalmente no caso da esteatose hepática. Caso necessário, o médico pode optar por uma hepatectomia – quando parte do órgão é retirado -, que é um tratamento avançado para os casos de câncer que não se originam no fígado.
Em casos mais complexos, que envolvem câncer primário de fígado (ou seja, quando a doença começa no órgão) com tumores pequenos e cirrose hepática, principalmente quando chega ao estágio de provocar falência hepática, o transplante é o tratamento mais indicado.

8. Quando o transplante de fígado é necessário?
Mesmo sendo um dos tratamentos mais eficientes para doenças hepáticas, o transplante só é indicado em alguns casos específicos – para pacientes que sofrem de cirrose hepática e câncer primário cujos tumores ainda são pequenos. Saiba mais sobre o transplante de fígado aqui.

9. Como prevenir?
As medidas para evitar as doenças hepáticas são simples e podem ser adotadas no dia a dia:
– não exagere nas bebidas alcoólicas;
– priorize alimentos saudáveis;
– não compartilhe seringas;
– use camisinha em todas as relações sexuais;
– não entre em contato direto com sangue e fluidos corporais de outras pessoas;
– não use medicamentos sem necessidade;
– não fume;
– pratique atividades físicas regulares.

10. Levando uma vida saudável
Ter uma alimentação saudável, com pouca ingestão de alimentos gordurosos, açucarados e com muito sódio, além dos refrigerantes e sucos industrializados, é o primeiro passo para cuidar do fígado. Não exagerar na bebida alcoólica e manter-se longe do cigarro também é importante. O dr. Henrique Sérgio alerta que não abusar de medicamentos é outra medida essencial para não sobrecarregar o órgão.