É inviável permanecermos estagnados, sem planejamento, sem perspectivas


Chegamos a dez meses de pandemia de COVID-19 no Brasil. Dez meses de incertezas que impactam a todos, sem exceção. Mais de 200 mil pessoas perderam suas vidas para o novo coronavírus, famílias sofreram com tristes despedidas, empresas fecharam, trabalhadores foram tirados do mercado de trabalho sem perspectivas de novas oportunidades profissionais em curto espaço de tempo, crianças abandonaram um ano letivo inteiro.

Hoje, todas as esperanças estão voltadas às vacinas, que seguem em vias de liberação e por mais que tenhamos fé de que os resultados serão positivos, temos de encarar a realidade: não teremos uma imunização em massa tão rapidamente. Somos quase 210 milhões de pessoas somente aqui, na nossa nação.

Por mais quantas semanas seguiremos paralisados apenas esperando a pandemia passar sem planejar como agir junto a ela? Será que o termo “novo normal” tão mencionado há alguns meses – e que já caiu em desuso – não dizia respeito justamente a conviver com o vírus da forma mais segura e responsável possível até que a ciência trouxesse uma solução definitiva? Quais são os planos para que a vida aconteça e para que os prejuízos sejam minimizados? Uma nação que não se planeja, não se desenvolve e, também, não se cuida.

O setor de eventos foi um dos que mais sofreu durante todo o ano de 2020 com as recomendações de distanciamento social. Vivemos de encontros presenciais, de reunir grandes grupos e promover relacionamento interpessoal.

Entendemos as medidas emergenciais. Um vírus novo, desconhecido, que a ciência não sabia afirmar nem mesmo como era a transmissão. Bloquear qualquer possibilidade de contaminação, naquele momento em que o curso da doença era um enorme mistério, era compreensível. Mas passados dez meses, a evolução da ciência foi grandiosa. Hoje sabemos muito mais sobre o novo coronavírus e como bloqueá-lo. Temos protocolos de tratamento mais assertivos e estamos nas fases finais do desenvolvimento de soluções para imunidade. A ciência está avançando, e todos os outros setores também precisam avançar dentro de suas possibilidades. Não podemos permanecer sentados, sem trabalhar, apenas assistindo à atuação incansável dos cientistas e profissionais da saúde.

A megalópole São Paulo deu um passo atrás na flexibilização da quarentena e, ao mesmo tempo em que manteve os shopping centers abertos, proibiu novamente a realização de eventos em pé, uma atitude bastante incoerente visto que apesar de os cenários de movimentação de pessoas em centros comerciais e em eventos serem similares, em encontros fechados há um controle muito maior sobre a circulação. Qual o padrão matemático utilizado para que haja liberação do shopping e proibição das feiras comerciais?

Imagine a movimentação e o controle de frequência de um shopping center. As pessoas entram e, por mais que haja a aferição de temperatura na entrada, elas estão circulando livremente pelo espaço. Entrando em lojas com mais ou menos pessoas por metro quadrado, frequentando a praça de alimentação a qualquer hora, e dividindo o mesmo espaço entre crianças, jovens, adultos e grupos da terceira idade. A rastreabilidade é zero. Em eventos corporativos, o controle é mais rígido. Nós sabemos quem está ali, o caminho que essa pessoa percorre, o tempo que ela permanecerá circulando, o que ela foi fazer e até mesmo quais os contatos pessoais que ela terá enquanto estiver conosco.

Mas e os eventos profissionais, tão indispensáveis para a retomada dos negócios e da economia? Quais as perspectivas? Qual o plano do governo para que esse setor possa girar e contribuir com a recuperação do país? Estamos, infelizmente, no escuro.

Nos preparamos, investimos em rígidos protocolos de segurança. Criamos acessos controlados e diferenciados. Limitamos a ocupação. Fortalecemos o distanciamento seguro. Apostamos em soluções inovadoras para higienização, inclusive trazendo equipamentos ultramodernos para limpeza do ar. Estamos prontos para atuar com toda a segurança. Mas temos as limitações burocráticas e governamentais que não nos ajudam a construir a solução.

Do lado de cá somos especialistas em planejar. Uma feira de negócios começa a ser organizada com dois anos de antecedência. Tudo é muito bem pensado dentro de cronogramas extremamente eficazes. Sabemos como fazer com segurança. Em nenhum momento paramos de trabalhar. Estamos prontos para colocar os eventos para rodar. Porém, ficamos de mãos atadas aguardando posições de governantes que não nos apoiam e nem nos envolvem na tomada de decisões.

*Malu Sevieri é CEO da Emme Brasil, representante da Messe Düsseldorf, e diretora da Medical Fair Brasil

SOBRE A EMME
A Emme Brasil é uma empresa brasileira representante da maior organizadora de feiras profissionais do mundo, a Messe Düsseldorf.

 

 

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