Eles merecem a vacina - Profissionais de laboratórios e clínicas de imagem devem ser grupo prioritário em todo o Brasil


Percorremos um longo caminho pandêmico até o início da vacinação contra a Covid-19, única possibilidade comprovadamente eficaz para o encerramento da pandemia no mundo. A fim de melhor distribuir as doses disponíveis, todas as nações criaram seus programas de vacinação definindo quais os grupos prioritários. No Brasil, a imunização foi iniciada dia 25 de janeiro e não foi diferente. O governo federal, com base em recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), definiu critérios com base nos quais as populações seriam imunizadas e, como a vacinação é feita em um esquema tripartite, estados e municípios definiram suas regras diretamente.

De forma generalizada, profissionais da saúde estariam no começo da fila, visto que são cidadãos expostos ao risco e cuja mão de obra precisa ser preservada. Porém, em algumas regiões – como é o caso da cidade de São Paulo – nem todos os profissionais de saúde estavam incluídos na primeira fase de vacinação. Na capital paulista, por exemplo, em um primeiro momento foram imunizados somente médicos e equipes de enfermagem, atuando diretamente na assistência aos pacientes com Covid-19 de hospitais públicos e privados; os fisioterapeutas das UTIs; os trabalhadores da atenção básica como aqueles que prestam atendimento nas UPAs e nas UBS, e os profissionais do SAMU.

Isso significava que mesmo estando diariamente diante de pacientes possivelmente infectados para coletar amostras para exames de RT-PCR, testes sorológicos e realizando exames de imagem a fim de checar o comprometimento pulmonar e confirmar o diagnóstico de Covid-19, biomédicos e técnicos de laboratórios e clínicas de imagem não faziam parte do grupo prioritário.

Essa situação nos gerou grande inquietação e, portanto, passamos a dialogar com a Prefeitura da Cidade de São Paulo a fim de possibilitar que essa comunidade também fosse vacinada, afinal são cerca de 45 mil profissionais que desde o início da pandemia prestam esse serviço essencial para a população paulistana. Cabe lembrar que a própria OMS destacou que o caminho para combater a disseminação era testar o maior número possível de pessoas. Esses trabalhadores da saúde passaram os últimos doze meses dedicados à testagem e mereciam essa proteção. Além disso, imunizar esses profissionais nos garantiria que os serviços de diagnóstico não seriam interrompidos por falta de capital humano especializado.

Felizmente, depois de reuniões entre a Abramed e o Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Laboratórios e demais Estabelecimentos de Saúde do Estado de São Paulo (Sindhosp) com o secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, e a coordenadora de Controle de Doenças da SES, Regiane Aparecida Cardoso de Paula, conseguimos um parecer favorável.

Em 16 de fevereiro, o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido dos Santos, anunciou que os profissionais de laboratórios e clínicas de imagem que realizam coleta e análise de amostras de RT-PCR e exames de raio X e tomografia computadorizada começariam a ser vacinados em São Paulo. A inclusão foi feita também no Instrutivo para Priorização de Doses da Vacina de Covid-19 no município de São Paulo. 

Imediatamente após essa primeira vitória, passamos a observar quais outros municípios precisam desse tipo de intervenção, pois precisamos proteger os profissionais de laboratórios e clínicas de imagem de todo o país que estão na linha de frente do atendimento a casos de suspeita de infecção pelo novo coronavírus.

A medicina diagnóstica, tão presente na preservação da vida e indispensável à melhor gestão da crise desde o início dos surtos até os dias atuais, precisa estar na lista de prioridades e esses trabalhadores que dedicam suas vidas ao atendimento populacional merecem a tão sonhada vacina o quanto antes.

 

NOSSOS PARCEIROS