Especialidade é uma das que mais evoluiu nas últimas décadas e reduziu taxas de morbidade e mortalidade


“Passamos a usar o cateterismo para tratamento da doença e não somente para fim de diagnóstico”

Foi através de uma experiência em seu próprio corpo, em 1929, que o cirurgião alemão Werner Forssmann revolucionou as pesquisas sobre doenças cardíacas e desenvolveu o que serviria de base para a Hemodinâmica moderna. Forssmann introduziu um cateter na veia de seu braço e, com o controle de imagens de radioscopia, levou o tubo até o átrio direito de seu coração. De lá pra cá, o cateterismo cardíaco percorreu um longo caminho até chegar aos dias atuais, com possibilidades diagnósticas e terapêuticas. Hoje, muitos dos problemas que demandavam cirurgias podem ser resolvidos através do cateterismo, reduzindo drasticamente o tempo de internação do paciente e impactando na queda dos índices de morbidade e mortalidade.

No Rio de Janeiro, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), na Tijuca, Zona Norte do Rio, ocupa lugar de destaque na área. Em 1988, o hospital criou de forma pioneira no estado um serviço de Hemodinâmica, na época grande novidade no país, que ajudou a colocar a instituição na posição de referência em que se encontra até hoje neste tipo de atendimento. Nessas três décadas, a unidade contabiliza mais de 25,5 mil intervenções diagnósticas e terapêuticas no serviço, que funciona 24 horas e oferece procedimentos cardíacos, vasculares e neurológicos.

Primeiro stent

Em meio a esse processo, surgiram os stents cardíacos, uma das grandes evoluções para quem necessita de desobstrução das artérias coronarianas. A endoprótese, associada às técnicas utilizadas pela Hemodinâmica, permite que doenças que antes eram tratadas na mesa de cirurgia possam ser abordadas com técnicas não invasivas. O HSVP detém um marco importante nesta área: foi lá que, em 1998, foi feita a primeira angioplastia com implante de stent do Rio de Janeiro.