Gastroenterologista da FMUSP fala sobre a necessidade de diagnóstico precoce para alcançar a meta da OMS em Hepatites Virais


O doutor em gastroenterologia pela FMUSP e presidente do Instituto Brasileiro do Fígado – IBRAFIG Biênio – 2020/21, Dr. Paulo Lisboa Bittencourt participou do Conexão CBDL, no último dia 29 de julho, com o tema "Eliminação das hepatites virais até 2030 no Brasil: conseguiremos alcançar a meta da OMS?".

Em sua fala, o médico, que também é professor adjunto da Escola Bahiana de Medicina, reiterou a importância do diagnóstico precoce para detectar as hepatites virais. "Os pacientes convivem 20 a 30 anos com a doença, são assintomáticos. Quando descobrem é tarde demais. Não poderíamos interferir mais cedo com o diagnóstico precoce?", questiona Bittencourt.

Em sua apresentação no evento, o gastroenterologista traçou um panorama das hepatites B e C no Brasil. De acordo com ele, no Brasil, mais de 1 milhão e meio de pessoas são infectadas pelas doenças. "O país é o segundo do mundo em realização de transplante de fígado, perdendo apenas para os Estados Unidos. São mais de 2 mil procedimentos por ano, com mortalidade de 30 a 50%", alertou ele.

Segundo o médico, 76% dos pacientes com câncer de fígado, ocasionado pela Hepatite C, já chegam em fase avançada e não têm mais acesso a tratamentos (nem os paliativos) e transplantes, 88% nem sabiam que eram acometidos por cirrose.

"Até 2030 é possível chegarmos lá. O Brasil conta com um programa modelo de enfrentamento das hepatites virais. É possível reverter com políticas públicas ao tratamento da Hepatite C antes da cirrose e do câncer do fígado. Para a Hepatite B é salutar promover uma vacinação ampla", destacou Bittencourt.

Ao final de sua apresentação, o médico falou sobre a possibilidade de testagem gratuita pelo SUS, além de tratamento com drogas orais de primeira linha com livre acesso à população.

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