Médicos desenvolvem tecnologia inédita que emite alerta quando paciente tem mau funcionamento dos rins e reduzem mortes em 17%


A injúria renal aguda (IRA), perda repentina do funcionamento dos rins, está associada à elevada mortalidade e estima-se que 300 mil pacientes morram todos os anos nos EUA por esta doença. Quase 50% dos pacientes internados em hospitais com IRA morrem. Apesar de potencialmente evitável, a injúria renal aguda geralmente é diagnosticada de forma tardia e o paciente fica passível de graves complicações, inclusive necessidade de hemodiálise.
 
Além da alta mortalidade, a IRA tem enorme impacto econômico, envolvendo gastos com a internação hospitalar, o tratamento pós-alta do hospital e o fato de o doente ter que se afastar de suas atividades profissionais. Nos Estados Unidos, a estimativa de gasto com o tratamento do doente renal agudo é de cerca de 9 bilhões de dólares. No Brasil, não há não há estatísticas precisas sobre a doença e seu impacto na sociedade.
 
Agora, uma ótima notícia para toda a comunidade. Médicos do Hospital de Base de São José do Rio Preto (SP) desenvolveram um dispositivo inédito que emite um alerta eletrônico ao médico quando um paciente internado apresenta IRA.
 
Baseado em inteligência artificial, o dispositivo avalia o resultado do exame de creatinina (utilizado para avaliação da função dos rins) do paciente e emite um alerta no prontuário médico indicando que os rins não estão funcionando adequadamente. O programa opera nos mais de 1.500 computadores acessados pelos médicos no Hospital de Base de Rio Preto.
 
Junto com o alerta, o dispositivo fornece várias orientações ao médico sobre os procedimentos a adotar. Mais ainda, uma verificação das medicações que o paciente está em uso é realizada por uma farmacêutica com intuito de interromper drogas que possam prejudicar o funcionamento renal.
 
Estudo feito pela equipe do Serviço de Nefrologia do Hospital de Base de Rio Preto comprovou a eficácia do dispositivo ao constatar que houve redução de 17% das mortes por IRA após a sua utilização. “Além de a mortalidade ter diminuído bastante, percebemos que, em muitos pacientes, a doença não evoluiu”, destacou o médico nefrologista Emerson Quintino.
 
No estudo, realizado em 2018, foram diagnosticados 3.174 pacientes com insuficiência renal aguda, que representaram cerca de 10% dos internados no Hospital de Base de Rio Preto. A evolução para os graus mais avançados e a mortalidade foi comparada antes (primeiro semestre) e após (segundo semestre/2018) a implantação do dispositivo.  A redução de mortalidade foi de 17%.
 
“A utilização deste alerta é de suma importância, pois a injúria renal aguda (IRA) é potencialmente evitável, mas, infelizmente, é reconhecida tardiamente na maioria dos casos. Além do atraso, existem também falhas em seu manejo”, comenta a nefrologista Ana Carolina Nakamura Tome.
 
O estudo foi vencedor do “Prêmio Magaldi” no 20º Congresso Paulista de Nefrologia, organizado pela Sociedade de Nefrologia do Estado de São Paulo, em setembro/2019.
 
Participaram do estudo os médicos nefrologistas Ana Carolina Nakamura, Maurício Nassau Machado, Mário Abbud Filho, Rodrigo José Ramalho, a enfermeira Karise Fernandes Santos e as farmacêuticas Helga Tamara Agostinho e Bianca Ponte, sob orientação do nefrologista  Emerson Quintino de Lima e suporte do Núcleo de Tecnologia Integrada da Funfarme - Fundação Faculdade Regional de Medicina de Rio Preto, instituição mantenedora do Hospital de Base. 
 
Foto: DINO