Nota Técnica da ABIMED e as tendências da tecnologia na saúde em 2030


Em momentos em que temos a expectativa de entender o presente e conhecer o porvir, saber um pouco mais sobre as tendências na área de saúde nos próximos dez anos é um diferencial. E dentre as publicações da Nota Técnica da ABIMED “Os Impactos da transformação digital na saúde”, lançada em julho e que conta com o registro de análises de um grupo excepcional de articulistas composto por autoridades, agentes públicos e profissionais dos mercados de saúde e inovação, evidencio o trabalho de autoria do Head of Healthcare Transformation da Johnson & Johnson Medical Latam, Fabricio Campolina, “A Tecnologia da Saúde em 2030”, que explora megatendências que irão transformar a saúde.

Os pontos de destaque do artigo são a supremacia dos ecossistemas integrados e o aumento da expectativa da vida do brasileiro. Segundo o autor, os ecossistemas podem ser fechados, como o de empresas, ou abertos, como o das operadoras Sulamerica e Bradesco. Ambos irão alinhar incentivos e integrar dados com potencial de reduzir significativamente os desperdícios. 

Segundo dados do sistema de saúde Europeu, atualmente vivemos de 10 a 30 anos sofrendo, por exemplo, com dores crônicas que limitam  substancialmente a qualidade de vida. Por isso, uma vez superado o desafio da democratização do acesso à saúde de qualidade, o consumidor irá buscar políticas públicas – por exemplo, de controle de doenças crônicas não transmissíveis – que promovam o envelhecimento com incentivo ao estilo de vida saudável.

O artigo também mostra que a Transformação Digital na Saúde Pública no Brasil precisa ainda de um grande esforço para avançar em áreas chaves como health analytics e integração de prontuário eletrônico. Espera-se ver esses esforços se concretizarem em benefício dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, o autor acredita que há ainda a falta de uma política de estado mais ambiciosa, que busque o desenvolvimento da inteligência artificial em seus três grandes domínios: aprendizagem de máquina, visão computacional e processamento de linguagem natural. Bons exemplos de políticas públicas como as adotadas pelos Estados Unidos e a China deveriam ser seguidas.

Com relação aos maiores desafios e obstáculos para a implantação da transformação digital no país a médio e longo prazos, com base no artigo, deve-se considerar duas grandes barreiras: reduzir o gargalo na formação da mão de obra para o desenvolvimento de softwares e promover a rápida evolução digital das empresas de saúde. Se as empresas não se movimentarem neste sentido, correm o risco de sofrer aquisição por startups de origem digital que, capitalizadas por investidores, podem contribuir para a aceleração deste processo.

E, dentre as inciativas feitas no país para incentivar a Transformação Digital nos últimos anos, ressaltamos a do InovaHC, do Hospital das Clínicas da USP, que conseguiu superar desafios históricos de integração do mercado com a pesquisa universitária e reunir em um mesmo local a pesquisa e a visão de mercado de grandes corporações com mentalidade de empreendedorismo e inovação.

Como se vê, o conjunto de artigos da Nota Técnica Painel ABIMED: os impactos da transformação digital na saúde mostra, mais uma vez, a relevância deste projeto realizado pela ABIMED, a partir de seu Comitê de Tecnologia e Inovação, que reafirma o protagonismo da entidade ao promover esta importante discussão sobre o impacto da transformação digital em nosso setor, como a integração de dados e a virtualização dos cuidados de saúde. Sem dúvida, tudo isso irá permitir ampliar o acesso e melhorar os padrões da saúde em nosso país.

 

*Fernando Silveira Filho é Presidente Executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (ABIMED

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